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Do objetivo


Bem-vindos à Serra Filosófica! Terei como objetivo, no decorrer das linhas, apresentar reflexões, incitar discussões e proporcionar ao leitor ferramentas teóricas para re-interpretar fatos: espero, com todo ardor, alcançar o proposto.

Lançarei materiais que ajudarão os alunos no tortuoso - embora prazeroso - caminho filosófico. Serão propostos, paralelamente, exercícios que contribuirão na formação do discente.

E qualquer sugestão, crítica e afins... postem! É do diálogo que surgem as mais belas reflexões!

Um grande abraço,
Danilo Svágera da Costa - Professor da Escola da Serra

Pensando sobre o pensar...


Os nossos pensamentos determinam aquilo que somos. A nossa atitude mental é o factor X que determina o nosso destino. Emerson disse: «Um homem é aquilo em que pensa o dia inteiro». Como poderia ser outra coisa qualquer? Estou convencido, sem qualquer sombra de dúvida, que o maior problema que temos de enfrentar - na realidade, trata-se praticamente do único problema que temos de enfrentar - é a escolha dos pensamentos certos. Se conseguirmos, estaremos no caminho certo para resolver todos os nossos problemas. Marco Aurélio, o grande filósofo que governou o Império Romano, resumiu esta questão em onze palavras — onze palavras que podem determinar o seu destino: «A nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fazem dela». 

É verdade, se pensarmos em coisas felizes, seremos felizes. Se pensarmos em desgraças, seremos uns desgraçados. Se pensarmos em coisas assustadoras, viveremos com medo. Se pensarmos em doenças, ficaremos provavelmente doentes. Se pensarmos em falhar, é certo que falhamos. Se ficarmos mergulhados em autocomiseração, vão todos afastar-se de nós e evitar-nos. Norman Vincent Peale afirmou: «Tu não és o que pensas que és; tu és o que tu pensas». 

Carnegie, D.

Voltaire e sua língua afiada... 250 anos depois

Muito interessante!


Voltaire, em 1764, escreve no seu Dicionário Filosófico o seguinte texto:

''Estados, governo... qual o melhor? – Até o presente não conheci quem não tenha governado algum estado. Não falo dos ministros que governam efetivamente, uns dois ou três anos, outros seis meses, outros seis semanas. Falo de todos esses senhores que, à hora das refeições ou em seus gabinetes, expõem seu sistema de governo, reformando os exércitos, a igreja, a magistratura e as finanças. (...) Mas que pátria escolheria um homem sábio, livre, um homem de fortuna medíocre e sem preconceitos?"

Hoje, 250 anos depois, Voltaire nunca esteve tão atual. Todos palpitam sobre o ''melhor governo''. Mas nunca chegam, de fato, ao âmago da questão. É necessário, antes do acto, o pensamento. Ser um espírito crítico e livre, digno de pensar o governo, é um grande problema social - pois, com efeito, ainda preferem as prisões ao intelecto!

Prof. Danilo Švágera

Você sabia?

Você sabia que...

desde a Grécia Antiga os filósofos se debruçam sobre a pergunta ''qual a essência do ser humano''? Com isso querem descobrir o que temos propriamente nosso, que nunca muda e que determina nosso ser. Em última instância essa pergunta remete à questão ''quem somos nós?'', tipicamente humana (demasiada humana).

Platão, por exemplo, causou polêmica ao afirmar que o ser humano é um bípede sem penas (pois galinhas depenadas também são!). Mas essa questão ganha impulso é na Idade Moderna, a partir do século XVI. Como o período é caracterizado pelo subjetivismo, questões de ordem antropológica invadem o ideário moderno. A grande batalha é travada entre Hobbes e Rousseau: enquanto o primeiro atribuia o egoísmo e a luta como essência do ser humano (lembra do ''homem é o lobo do homem?'') o segundo dizia que o homem nascia bom, mas a sociedade o corrompia. Outras visões sobre o ser humano foram traçadas - vale a pena dar uma olhada!

Muitos dizem que esse debate está ultrapassado, que tentar definir o ser humano é coisa do passado (que somos seres multifacetados, portanto indecifráveis!). Apesar de tudo, pesquisar nossa essência pode ser o primeiro passo para compreendermos quem somos e o que buscamos! 

Prof. Danilo Svágera

Pensar a educação... um ato necessário!



Talvez a temática que mais tenha suscitado reflexões neste que vos fala, atualmente, seja a educação. Para ser mais exato, nos fundamentos dessa atividade humana - ou seja, nas bases e características próprias do educar. É o que na Universidade chamamos de "Filosofia da Educação''. Como a Filosofia dita ''pura'', levantamos questões fundantes (ou básicas, de 'raiz') sobre o mundo (no caso, educativo) e tentamos, através da análise argumentativa, compreender o fenômeno. Algumas perguntas deste tipo são:

O que é educação? Como educar? Para que educar? Como educar o educador? Como ir além do 'aqui agora' e tornar o aluno um crítico do espaço que o cerca? Principalmente, são questões que todo professor deveria se colocar a pensar, vez em quando. Vamos colocar reflexões bases, que escrevi há pouco, para pensarmos coletivamente.

A educação tem traços inerentes ao seu fazer.É um processo exponencial, pois, quanto mais se educa, mais há a necessidade de continuar no ato investigativo. Dessa característica surge a noção de educação como um processo contínuo e inacabado.

Ninguém para, jamais, de aprender: o contato com o mundo, com o que espanta os seres, o coloca em processo contínuo de educar-se. A escola, portanto, é somente UM dos espaços onde ocorre esse ato. Por isso mesmo ela não pode ser responsabilizada, ademais, como único espaço formativo. Mas qual a importância da escola para o humano, já que foi construída historicamente e possui diversas alterações no seu âmago? Escola não é estritamente um local onde as aulas são lecionadas. É um espaço em que ocorrem interações psico-sociais entre seres diversos, que possuem histórias distintas e, portanto, subjetividades diferentes.

Bem, já deu pra notar que a Educação traz consigo várias importantes reflexões (que terão 'reflexo' na nossa vida como um todo!).
O professor que almeje se tornar educador deve se atentar para esse fato, transcendendo a ingenuidade de lidar com ''receptores de conhecimento''.

Com orgulho sou educador, agente educativo e formativo. Não detenho ''o'' saber, mas sim ''uma parcela'' de ''um'' saber que pode, em conjunto, transformar realidades! Avante.

Interdisciplinaridade em pauta - Filosofia e Redação (ou a palavra é a ponte mais próxima entre duas pessoas!)


Se há algo que aprendi, no decorrer dos anos preparando seres para o vestibular, é que podemos elaborar uma boa argumentação de múltiplas formas. Bem, entramos no campo da Filosofia e Redação, duas disciplinas fundamentais se você quer se dar bem no Enem. Mas por qual motivo? Porque os conceitos e a argumentação, que perpassam todas as provas do Exame, são tipicamente provindas dessas duas disciplinas. E há algumas dicas interdisciplinares entre tais matérias que permitirão a você compreender melhor e escrever bem um texto. Acompanhe!

Você sempre terá duas opções ao abordar qualquer tema. O primeiro é partir de uma ''tese central'' e dela ir concluindo as frases. Quando alguém pergunta "Você, no campo político, é de direita ou esquerda?" e você responde, por exemplo, ''esquerda''. Todas as outras frases irão derivar desse seu posicionamento inicial (inclusive podemos antever o que o autor irá abordar no texto). É o que chamamos de raciocínio dedutivo.

Mas há uma outra forma. Suponhamos a mesma pergunta acima. Logo após enunciada, você vai construindo a resposta, a partir de argumentos encadeados, até chegar a uma conclusão. Há sempre uma surpresa ao final, porque (se bem construída) o autor vai amarrando as partes. É o que chamamos de raciocínio indutivo.

Nas redações isso funciona muito bem, na medida em que o aluno se põe a escolher tratar um tema de forma dedutiva (a partir de uma lei geral) ou indutiva (construindo o argumento e, ao final, concluindo). Essa estratégia é utilizada em diversos textos argumentativos e, se bem utilizada, fará você expor com mais clareza suas ideias.

Escreva e pratique! A palavra é a ponte mais próxima entre duas pessoas!

Mas professor... para que serve...


'Mas para que serve Filosofia?' Essa pergunta, repetida cotidianamente por muitos, contem em si um sintoma temporal: a desvalorização das Humanas frente ao técnico-científico. Mas nem por isso devemos cessar nossa empreitada: é no conflito, justamente, que a 'coruja' filosófica alça seu voo.
A resposta à pergunta inicial, dada por muitos, que não alcança o cerne do problema, é que 'filosofia é arte de pensar'. Mas pensar todos pensamos. Qual então seria a distinção entre a Filosofia e um mero pensamento?

Pois bem. A Filosofia, que surge na Grécia há mais de 2500 anos atrás, é a disciplina cuja essência reside no questionamento (e tentativa de respostas) para perguntas. Questionamentos esses que, de ordens diversas, buscam a compreensão do mundo que nos cerca. Política, ética, conhecimento, arte e tantos outros campos que são humanos, demasiadamente humanos. E todos merecem crítica e apontamentos. 

A partir de perguntas (independente de boas ou más, são dúvidas: e nada mais grandioso que isso), tentamos refletir. Elas são a base da Filosofia. Mas utilizamos instrumentos para respondê-las? Sim, quatro tecnicamente. Os conceitos ou definições, palavras que guardam em si significados expostos pelos pensadores; a razão ou pensamento - essa categoria tão nossa, que permite ir além do óbvio; a argumentação, como instrumento para discutir a realidade; e os filósofos anteriores, ditos clássicos, que investigaram os temas e escreveram suas obras tentando re-significar o real.

O Filósofo, agente da filosofia, está sempre receptivo a novos questionamentos e fará de tudo para lidar de forma racional a eles. A crítica e os apontamentos sociais fazem parte de seu ofício - interroga e compartilha, portanto, seus pensamentos com os demais cidadãos.

Vamos adentrar nesse mundo da filosofia, objetivando revalorizar as ideias em nossa sociedade! Abertos, contudo, a outras visões - pois é do diálogo crítico que se faz (e re-faz) minha disciplina! Um abraço!

A indústria farmacêutica nossa de cada dia

Em memória de Ronaldinho, amigo e médico. Um espírito de artista que nos deixou cedo demais.

Vivemos em uma sociedade que elege, dia após dia, temas como ''tabus''. Cala-se, dessa forma, o espírito crítico das pessoas em nome de coisas supostamente 'indizíveis' (mas o que há de indizível no mundo?). Manipula-se, corrompe e esquarteja qualquer possibilidade de diálogo. Em suma, cria-se barreiras 'intransponíveis'. Mas ''como uma vida não analisada não merece ser vivida'', venho soltando farpas em sala de aula a respeito de muitos temas: pois acredito que 'luto para educar e educo para lutar'. Por amar minha profissão, hoje venho refletir acerca dos mais preciosos agentes na dialética educativa: as crianças e jovens.

Nossas crianças estão sendo submetidas, tais como ratos em laboratórios, à farmacologia. A mesma entidade de fármacos que cria medicamentos capazes de curar, também criará medicamentos capazes de matar e escravizar uma população. Movimenta-se bilhões em capital (ah, o capital) e emerge dessa entidade uma indústria, tal como a automobilística ou eletrônica. E nós, vozes fatigadas que gritam na rua do silêncio, ficamos quase inorgânicos a mais esse tabu.

Crianças e adolescentes que, a partir de laudos emitidos diariamente em consultórios, são 'diagnosticadas' com as mais diversas patologias cognitivas - e submetidas a tratamentos farmacológicos com os 'salvadores'. Não, não sou ingênuo a ponto de acreditar que nenhum garoto precise desses medicamentos. Mas, ao mesmo tempo, sou um duro crítico a homogeneização de nossos jovens. Ingenuidade é acreditar que a indústria que movimenta bilhões está a oferecer, como benfeitora, a cura a todos esses pacientes. Estão, sim, subordinados ao lucro: criando consumidores que viverão presos ad eternum ao comércio de medicamentos (para uma ''vida mais fácil e libertadora''). Um slogan publicitário ótimo.
Questões se abrem: quantas curas já não foram encontradas e ocultadas por não serem lucrativas? Quantos meninos e meninas, vítimas de um tratamento brutalizante, de fato precisam desses medicamentos? São todos realmente? Quantas coligações são feitas pelas indústria supracitada com médicos desonestos?

Defendo, como um ''ps'' ao texto, a medicina com meu corpo e alma: de corpo porque dela precisamos. Nossos hábitos tem nos deteriorado e a correria do mundo nos matado; de alma porque nossos médicos também estão se tornando vítimas de um sistema cruel, monopolizador, de uma indústria que cresce e movimenta cifras inesgotáveis. Que haja luta social integrada entre população e os médicos honestos. Porque a desonestidade, queridos amigos, está presente em parcelas de todos os segmentos.

Adendo: Meus nobres, a mesma sociedade que condenou o whisky à grande droga na crise norte-americana hoje consome abertamente (e como é chique!) tal bebida. Porque gera lucros astronômicos para as grandes empresas. Estamos, infelizmente, inebriados (não pelo whisky), mas pelo dinheiro.

Provocações: a felicidade não existe. E que bom.


Somos seres bicéfalos. Sim, tal como a águia presente na bandeira russa, temos duas cabeças, cada qual apontada para uma direção. Somos dúbios, ponte entre dois extremos, bem e mal, amor e ódio, humildade e grandeza, pecado e santidade, ser e não ser (subvertendo Shakespeare).
Nós, humanos demasiado humanos, sempre a desejar aquilo que não temos - pois, quando finalmente alcançamos, nosso outro lado logo inicia seu processo de ''novo desejo''. Somos seres eternamente insatisfeitos, já argumentava Pascal.
Sim, faça um exercício rápido: lembre-se da infância. Você um dia disse: ''quando EU (essa partícula linguística tão falada) tiver aquele brinquedo serei a criança mais feliz do mundo". Com pequenas variações, essa frase já foi dita por todos nós. E você ganhou o brinquedo. Se lembra qual foi? Caso sim, você cessou seu desejo e alcançou a plena felicidade? Não deseja mais nada, já que agora possui a felicidade? A resposta provavelmente seja ''Não. Ainda há desejo".

Somos seres que desejam, que almejam algo que nem mesmo sabemos. Carros, casas... posses. Capital. E continuamos numa busca implacável, sem precedentes, matando e morrendo, por um vislumbre de felicidade (que pode durar poucos segundos).
Abrem-se as questões: 'a' felicidade existe ou teríamos somente momentos felizes? Se são momentos, faz sentido falar em alcançar a felicidade? Cessaremos nossos desejos, transcenderemos o humano e morreremos em paz, sem nada mais buscar? Decapitaremos a ''águia bicéfala'' e seremos seres humanos de uma só cabeça? Estamos correndo atrás de que, para que e como? As posses me libertarão ou, paradoxalmente, me deixarão cada vez mais servos da mercadoria?

Nada mais buscar é triste. É castrar a própria essência humana. A felicidade, estágio absoluto de serenidade, não existe. E que bom que não.

E o que você faria?


"O que você faria se só te restasse esse dia. Se o mundo fosse acabar. Me diz, o que você faria?". A música que abre esse post, imortalizada na voz de Paulinho Moska, hoje me acordou. E não somente pelo seu alto volume, tocado por algum carro às seis da manhã. Mas pelo seu conteúdo. Mas vou alterar suas premissas.

O que você faria se só te restasse uma vida? Bem, isso mesmo. Nada de concepções religiosas por aqui. Estou a falar de matéria, do aqui-agora. Sei que tenho uma vida. Outras? Vá saber.

Você, ser humano sentado ou deitado (incluirei os eretos também), lendo tais linhas frias. As vezes me perturba o fato das pessoas acreditarem ser, tais como entidades gregas, imortais. Uma mescla de tempo e espaço infinitos. Desperdiçam aquilo que há de mais gratificante, a ''gratuidade'' da vida, em prol de... de algo?
Ontem, enquanto atendido numa agência bancária, recebi uma gerente extremamente amargurada. Educação não é regra a todos, então não me incomodei (tanto). Suposição: provavelmente tinha estudado para um concurso, feito uma festa depois de ter conseguido o almejado emprego. E agora lá está, inerte, tendo castrado alguns sonhos de infância e adolescência, disparando seu mau humor aos clientes - que não tem culpa. São tão vítimas dos banqueiros quanto ela. Nada de ressentimentos. Mas, sobretudo, as pessoas são vítimas de si mesmas. Das escolhas que fazem.

Mas por que não há ressentimentos? Porque estou onde almejei estar. Dei vazão em fazer aquilo que gosto, lutar pelos meus sonhos, viver minha vida. Ser e estar no MEU mundo, aquele que criei. E, de forma alguma passa pela minha cabeça castrar minha individualidade em prol de um lugar onde não gostaria de estar.

Voltemos à (subversão) da música: você está onde gostaria de estar? Se a resposta for não, vai desperdiçar sua única vida?

Um ps final: não conheço a gerente. Sei nome, mas conhecer transcende um vocábulo. Por isso mesmo não a acuso (e que sou eu?). Esse post é dedicado aqueles que fazem o que gostam. Ou aqueles que querem transcender uma cadeira fria, a qual está sentado, e que de fato não gostariam de estar. (hoje não falarei de capital. Ainda acredito que minha vida transcende a entrega a ele).