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A Amizade e a obra

A Amizade

Na Ética à Nicômaco, Aristóteles dedica dois livros (VIII e IX) ao tema da amizade. Para melhor compreensão do tema, devemos lembrar que a expressão grega possui maior significado, podendo designar qualquer atração mútua entre duas pessoas. A discussão do assunto constitui uma correção válida a respeito de uma impressão que o restante da Ética tende a produzir. A maior parte do sistema moral de Aristóteles está centrada sobre o próprio indivíduo; é próprio do homem, o homem tende e deve tender. Na totalidade da ética, para além dos livros sobre a amizade, muito pouco é dito no sentido de se sugerir que o homem pode e deve ter um interesse caloroso e pessoal pelas outras pessoas; o altruísmo está completamente ausente. Apresentam-se traços de um ponto de vista egoísta mesmo no respeito a amizade, como poderíamos esperar, devido a amizade não constituir uma mera benevolência, mas exigir reciprocidade.

Um homem deseja o bem do seu amigo por amor ao amigo, e não como um meio para sua felicidade[42]. As várias formas de amizade mencionadas por Aristóteles constituem todas as ilustrações da natureza social essencial do homem. No plano inferior, necessita de amizades úteis . Num plano mais elevado, forma amizades por prazer, isto é, tem um prazer natural no convívio com os seus amigos. Num plano ainda mais elevado, constitui amizades por bondade, nas quais um amigo ajuda outro a viver a melhor vida.

A parte mais interessante da discussão é aquela em que Aristóteles defende o ponto de vista segundo o qual a amizade baseia-se no amor do homem por si próprio. Noutra passagem, adverte-nos da expressão relação ante si próprio; através da metáfora, podemos dizer que existe justiça, não ente um homem e si próprio, mas entre duas partes do mesmo indivíduo. Aristóteles critica o ponto de vista de Platão, segundo o qual a justiça é essencialmente uma relação com o eu[43]; Aristóteles defende um ponto de vista semelhante a respeito da amizade, julgando-se, sem dúvida, justificado pela natureza mais íntima da relação. Quatro características da amizade podem encontrar-se na relação do homem consigo próprio; o homem bom deseja e realiza o melhor para seu conhecimento para o seu elemento intelectual, o qual representa ele mesmo. A todo momento se encontra numa completa harmonia consigo mesmo, e dum momento a outro numa perfeita coerência: é devido ao fato de esta relação existir no homem bom, e porque o seu amigo é para si um outro eu, que a amizade possui tais características.

A teoria de Aristóteles representa uma tentativa de destruir a antítese entre egoísmo e altruísmo, mostrando que o egoísmo de um homem bom possui precisamente as mesmas características do altruísmo. No entanto, na tentativa de encontrar elementos estáticos de eu, o motivo de interesse e da simpatia de uma pessoa por outra, fracassa, porque estas relações implicam dois eus distintos. Noutra passagem, Aristóteles segue outra via, sugerindo que o eu não consiste numa coisa estática, mas algo capaz de uma extensão indefinida. Quando fala de pessoas, tratando os seus amigos como Outros Eus[44], ou como partes de Si próprios[45], pretende significar que um homem pode estender os seus interesses de tal forma que o bem-estar e outro pode tornar-se para si um objeto de interesse, tanto quanto seu bem estar. Uma mãe, por exemplo:

…"e a amizade parece digna de ser desejada por si mesma. Mas dir-se-ia que ela reside antes em amar do que em ser amado, como mostra o deleite que as mães sentem em amar; pois algumas mães entregam os filhos a outros para serem educados, e, enquanto conhecem o destino deles, amam-nos sem procurar ser amadas em troca (se não lhes são possíveis ambas as coisas), mas parecem contentar-se em vê-los prosperar; e amam os seus filhos mesmo quando estes, por ignorância, não lhes dão nada do que se deve dar a uma mãe”[46].

Esta mãe que sofre a dor do seu filho tanto quanto a dor do seu próprio corpo torna-se este exemplo de querer para o outro o bem-estar. O altruísmo pode, assim, ser chamado egoísmo. Mas dizer isso eqüivale a condená-lo. Existe um amor de si bom, tanto quanto mau. O problema reside em saber qual espécie de eu que amamos. Pode ser a que se delicia com o dinheiro, as honras ou os prazeres do corpo, os bens por que lutamos, os quais são de tal modo que quanto mais os possuímos, menos o outro os deve ter. Ou, pode ser, a que se interessa pelo bem-estar dos seus amigos e concidadãos. Tal homem dispenderá o seu dinheiro para que os seus amigos tenham mais, mas, mesmo assim, toma para si a melhor parte. Os seus amigos apenas obtêm dinheiro, mas ele também o que é nobre, a satisfação de fazer o que está certo. E, mesmo que morra por outros, ganha mais que perde[47].

Nesta parte da Ética, o individualismo de Aristóteles torna-se mais evidente. A razão é apresentada como tratando-se do elemento que dá ao homem uma maior autoridade, aquilo que é mais verdadeiramente ele próprio, aquilo que satisfaz o homem bom desde o momento em que ele próprio se sacrifica. Prepara-se, desse modo, a vida para a seção da Ética na qual Aristóteles expõe o bem-estar.

Técnica e Tecnocracia

Olá, nobres companheiros!
Publico hoje um fragmento de um texto da Maria Lucia de Arruda Aranha - tenho certeza que tal irá ajudar os alunos na prova temática de minha escola!

A técnica é um poder cujas conseqüências nem sempre aparecem muito claramente no início do processo, por isso convém não desprezar a sabedoria daqueles que desejam discutir sobre os fins a que ela se destina, Isso significa que o técnico não pode ser apenas técnico, mas deve ser capaz de refletir a respeito dos valores que envolvem a aplicação da técnica. Por exemplo, a industrialização não-planejada transforma o mito do progresso no pesadelo da poluição e do desequilíbrio ecológico.
Outra interpretação possível da velha lenda é que o primeiro sonho do maquinismo foi a libertação do homem das tarefas mais árduas e repetitivas. No entanto, o que temos observado é a ampliação do "batalhão de operários" executando ordens mecanicamente sem que tenha havido significativa redução do tempo de trabalho ou melhoria da qualidade de vida.
Já em pleno Século das Luzes (séc. XVIII), Rousseau contrariava as expectativas otimistas que a maioria depositava nas vantagens do desenvolvimento da técnica, denunciando o avanço da desigualdade entre os homens. Afinal, o que ainda hoje constatamos é que os frutos da tecnologia não têm sido distribuídos de forma igual entre os homens.
Na segunda metade do século XVIII, operários da região de Lancashire, na Inglaterra, fizeram diversos movimentos durante os quais era destruído o maquinário das instalações fabris. Os "quebradores de máquinas", na verdade, já percebiam, com aflição, as profundas modificações decorrentes da passagem da produção artesanal e doméstica para a fabril.

Grande abraço a todos!

100 posts..!


Olá, nobres amigos!

Chegamos hoje à centésima postagem! É com muito carinho que dedico este site à você - pessoa como eu que sente prazer em filosofar [refletir, pensar]!

E pensar que tudo surgiu de um impulso básico de trazer estudantes e demais interessados à experiências e textos filosóficos... naquela tarde de fevereiro - volta às aulas, ao trabalho...!

Grande abraço!

Recomendo!


Caríssimos alunos,

É com muito prazer que apresento-lhes hoje o blog do meu amigo Eduardo Salatiel. Formamo-nos juntos na universidade e, embora tenhamos trilhados caminhos diferentes, convergimos no ato de ensinar.

Entre, leia e reflita: terás horas de agradáveis pensamentos..!
Clique no link abaixo!

Sugestão de filme - Waking Life

Boa noite, nobríssimos !

Aqui vai uma ótima dica de um filme - filosófico, sobretudo. É com grande prazer que apresento Waking Life - uma ótima produção cujo enfoque são conversas realizadas sobre/durante o sono/vigília. Vale a pena assistir e assistir... Embarque nesta viagem!


Como diria Santayana - "Sanity is a madness put to good uses; waking life is a dream controlled."

E para o sexto ano dar uma olhada...

[Os homens e os animais]

(...)É uma coisa bastante notável que haja homens tão embrutecidos e tão estúpidos, sem excluir mesmo os insanos, que sejam capazes de arranjar conjuntamente diversas palavras, e de compô-las em palavras pelo qual façam entender seus pensamentos; e que, ao contrário, não exista outro animal, por mais perfeito e bem concebido que possa ser, que faça o mesmo [crie discursos]. E isso não se dá porque lhes faltem órgãos, pois verificamos que os papagaios podem proferir palavras assim como nós, e, todavia, não podem falar como nós, isto é, testemunhando que pensam o que dizem. Por outro lado, os homens que, tendo nascido surdos e mudos, são desprovidos dos órgãos que servem aos demais para falar, tanto ou mais que os animais, costumam inventar eles próprios alguns símbolos pelos quais se fazem entender por quem, estando comumente com eles, disponha de tempo para aprender a sua língua. E isso não demonstra apenas que os animais possuem menos razão do que os homens, mas que não a possuem absolutamente. Vemos que é preciso muito pouco para saber falar; e já que se nota desigualdade entre os animais de uma mesma espécie, assim como entre os homens, e que uns são mais fáceis de serem adestrados do que outros, não é crível que um macaco ou um papagaio, por mais perfeitos que fossem, em sua espécie, não igualassem uma criança das mais estúpidas ou pelo menos que tivesse cérebro perturbado, se a sua alma não fosse de uma natureza inteiramente diferente da nossa.

DESCARTES, René. Discurso do método. Brasília, Editora universidade de Brasília; São Paulo, Ática, 1989, p. 76.

1 – O texto de Descartes destaca uma característica que é própria dos humanos. Qual característica é essa?

2 - Qual a razão de Descartes citar os homens brutos e estúpidos no interior do texto? Justifique.

O Labirinto...

O Labirinto (Antônio Miranda)

Um labirinto infinito que termina quando recomeça

Que é o princípio de seu próprio fim: eterno!

Um desvão secreto, um epicentro inalcançável

Enquanto, perdido, ouço a própria voz distante.


Aonde me levam estas trilhas tortuosas?


A que desertos, desterros, a que ares represados?

Tantos rostos irreconhecíveis, corpos ausentes!
Quantos atropelos, quantas negações insidiosas!
E eu a errar por espaços contidos, viciados.


Qual a direção deste vento aprisionado?


Os muros bifurcam-se, fecham-se, multiplicam-se

em outros muros mais adiante: são os mesmos

no círculo vicioso de uma vida programada

que devora e recicla, ad infinitum, sua mesmice.


* - Crédito da imagem: Arthur Gasperini - O Minotauro (trabalho apresentado como conclusão da etapa na Sétima Série do Colégio Cenecista Márcio Paulino).

O homem e sua responsabilidade...


"Esclarecimento (Aufklärung) significa a saída do homem de sua minoridade, pela qual
ele próprio é responsável."

São com tais palavras que Kant, filósofo moderno do século XVIII, inicia o belíssimo texto "O que é Esclarecimento". Peça chave para o entendimento da atmosfera iluminista, o texto está disponível para download no link abaixo:

http://www.4shared.com/file/129490298/5e3f318f/esclarecimento.html

Leiam, meus nobres - está diante de vocês um texto clássico e de agradável leitura!

Como certa vez proferiu um filósofo: visto com as mais belas vestimentas para ler os clássicos: estes são os eternos merecedores .

Um grande abraço !

Aristóteles - UFMG 2010

Boa tarde, nobres companheiros!

Segue abaixo o link para baixar o livro referente à Filosofia Antiga, no vestibular da UFMG 2010! Para aqueles que prestarão o concurso, segue a referência completa da obra:


ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Livros VIII e IX. (Texto disponível na coleção Os pensadores)

http://www.4shared.com/file/67601292/9f3f0f/Aristteles_-_Metafsica_tica_a_Nicmaco_Potica.html?s=1

Um grande abraço!

Temas de Filosofia


Atendendo a pedidos, forneço a todos o belo livro "Temas de Filosofia" da autora Maria Arruda e Maria Martins - encontrado enquanto garimpava alguns sites pela web.

Segue o link para download:


Um grande abraço a todos!

Galileu!

Há exatos 400 anos, em 25 de agosto de 1609, Galileu Galilei apresentava ao mundo o telescópio, sua mais nova invenção.
Apesar de a data passar despercebida para muitos, trata-se de um dos mais importantes avanços tecnológicos da história. Não à toa, desde ontem, o Google mudou seu logotipo para homenagear a descoberta do astrônomo italiano – primeira pessoa a observar a Lua através de um telescópio.

Leia mais em: http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/telescopio-de-galileu-faz-400-anos-25082009-35.shl

Logofonia!


Olá, meus caros amigos!

Venho hoje para anunciar à todos um programa de rádio muito interessante, desenvolvido pelo grupo PET Filosofia (UFMG) - chamado Logofonia. Os professores da citada universidade eram chamados para bater um papo acerca de filósofos clássicos e temas diversos.

Os programas foram gravados e disponibilizados para download no site:


Façam bom proveito..! Boa reflexão!

Echoes


Ainda ecoa de algum canto...


“No es Saludable estar bien adaptado a una sociedad profundamente enferma”

A desobediência construtiva


"Por meio da nossa dor, nós os faremos perceber sua injustiça. Podem me torturar e até me matar. Terão meu corpo, não minha obediência”. - Gandhi

Prestemos atenção na palavra obediência. O que você entende por tal palavra? E a desobediência? Você saberia nos dizer o que significa? Ela apresenta uma conotação positiva ou negativa?

Leia atentamente o texto abaixo e descubra um pouco mais!

Um ato construtivo

Note que a desobediência comum - ultrapassar o sinal vermelho, por exemplo - é uma ação de caráter anárquico e que outras desobediências ou transgressões podem ter caráter criminoso, pois não têm uma finalidade social. Ao contrário, a desobediência civil é um ato inovador, de caráter eminentemente construtivo e não destruidor.

Justamente por isso chama-se de "civil": porque quem comete essa desobediência acredita estar cumprindo o seu dever de cidadão, numa situação ou circunstância em que a lei merece mais ser desobedecida do que obedecida.

Quem comete uma transgressão comum procura fazê-lo escondido. Ao contrário, a desobediência civil precisa ganhar o máximo de publicidade para convencer os outros cidadãos, conquistar maioria ou unanimidade e, assim, atingir suas metas.

O direito de ser governado por leis justas

O argumento filosófico que fundamenta a desobediência civil é o seguinte: o cidadão só tem o dever moral de obedecer as leis, se os legisladores produzirem leis justas.

Afinal, entre o cidadão e o legislador existe uma relação de reciprocidade: se o legislador tem de ser obedecido, o cidadão, por sua vez, tem o direito de ser governado com ética e sabedoria.

A concepção mais moderna de desobediência civil foi formulada no ensaio "Civil Disobedience", do escritor norte-americano Henry David Thoreau, publicado em 1849. Ele o escreveu ao se recusar a pagar taxas ao governo de seu país, que as empregava numa guerra movida injustamente contra o México.

Diante das conseqüências de seu próprio ato, que poderia levá-lo à prisão, Thoreau declarou: "Quando um governo prende injustamente qualquer pessoa, o lugar de um homem justo é a prisão".

Isso significa que a desobediência civil - questionando um ponto específico do ordenamento jurídico de um país - pressupõe que o desobediente aceite a conseqüente punição de seu ato, pois reconhece que o Estado tem o direito e a obrigação de punir quem descumpre a lei.

Atualmente, chama-se a isso de desobediência civil passiva e se reconhece a existência de uma desobediência civil ativa, em que os desobedientes se vêem no direito de subtrair-se às penalidades legais.

Ação exemplar

Resumidamente, a desobediência civil visa substituir o discurso de protesto pela ação exemplar. Por isso mesmo, é importante dar exemplos de atos de desobediência civil.

Entre eles, podem-se citar as diversas campanhas do líder indiano Mohandas Gandhi, contra a segregação racial na África do Sul ou na campanha pela independência de seu país.

Gandhi incorporou à noção de desobediência civil o caráter de não-violência. A desobediência civil é feita de atos pacíficos e seus praticantes não reagem à repressão quando a ela são submetidos.

Outro exemplo histórico digno de nota é o da luta pacífica empreendida pelos negros norte-americanos, agrupados em torno do pastor luterano Martin Luther King, para conquistar seus direitos políticos e sociais, nos Estados Unidos dos anos 1950/1960.

Lá, nessa época, os negros eram considerados cidadãos de segunda categoria e estavam sujeitos não só à discriminação como a toda sorte de perseguições e humilhações.

Atitude, aprendiz de filósofo!

Meus nobres leitores, desculpe pelo longo tempo sem posts. Em decorrência das férias, sobretudo, passei um tempo longe das telas de computador - um descanso, oras! Estrategicamente, resolvi voltar no dia 16 (como vocês perceberam), pelo fato do Dia do filósofo.

Publico hoje um trecho de um interessante texto, contido no livro "Convite a Filosofia", da professora Marilena. Ótima sugestão para aqueles que estão iniciando (ou progredindo!) na arte do filosofar.

Grande abraço!

A atitude filosófica - Marilena Chauí Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer “está sonhando” ou “ficou maluca”, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmações por outras: “Onde há fumaça, há fogo”, ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”, por: O que é causa? O que é efeito?; “seja objetivo ”, ou “eles são muito subjetivos”, por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?; “Esta casa é mais bonita do que a outra”, por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”, questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Se, em vez de falar na subjetividade dos namorados, inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos? Se, em lugar de discorrer tranqüilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”, resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade? E se, em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas idéias, os mesmos gostos, as mesmas preferências e os mesmos valores, preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão, estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existência. Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica.

Dia 16/08 - Dia do Filósofo






Hoje é dia Internacional do Filósofo!
Parabéns a todos aqueles que se dedicam à arte da reflexão... e, sobretudo, para aqueles que tanto contribuíram para a formação da consciência crítica - os clássicos!




Atividade nº04 - Controle ideológico


Boa tarde, meus nobres alunos!

1) Na sexta passada vimos o extrato do filme "Laranja Mecânica" e, paralelamente, lemos à respeito do Estado, da força legítima e dos aparelhos repressivos criados pelo Estado. De posse das informações e de seus conhecimentos sobre o assunto:

a) Escreva um texto relacionando as passagens do filme com a temática abordada em sala de aula. Caso haja dúvidas à respeito do filme e de sua trama, consulte sites e outros canais informativos para elucidações.

b) Escolha 1 autor, dentre os 3 citados na última aula (Marx, Foucault ou Althusser), e exponha sua teoria acerca do estado e do papel deste [estado]. Para embasar sua pesquisa, mencione dados biográficos e intervenha no texto com críticas e observações, traçando um paralelo com os dias de hoje.

E é feriado! ZzZ..!


Em virtude do feriado, nosso blog não receberá atualizações no final de semana!

Enquanto isso, que tal visitar um ótimo blog que contem aulas de música, com explicações para leigos e experientes..?

Então acesse http://saladmusica.wordpress.com/ ! Blog do meu amigo Fabrino, grande músico!

Aproveitem, pessoal! (enquanto isso estarei estudando música também!)

Pare... Pense... Verbalize!

"Mais do que um culto ao indivíduo, o Orkut é responsável por um culto ao personagem"

Você concorda com a frase acima? Expresse sua opinião!

Espírito do Tempo


Muitos alunos perguntam-me à respeito do filme Zeitgeist, produzido em 2007 por Peter Joseph. Para aqueles que não o conhecem, o respectivo filme apresenta "teorias da conspiração"* acerca do Cristianismo, do 11 de Setembro e de fatos políticos. Visto tais solicitações, dedico o post de hoje à esclarecer alguns pontos cruciais do filme.

Antes de mais nada: pensar filosoficamente implica em absorver determinado fato e analisar com criticismo e discernimento.

Primeiramente, muitos se chocam com as supostas "revelações" feitas em Zeitgeist. Neste caso, temos de partir do pressuposto que tudo ali abordado tem como propulsor visões divergentes dos fatos noticiados: optar pela verdade incondicional do filme é, antes de mais nada, aderir ao imediatismo - portanto, ao não filosófico. A discordância é fundamental em qualquer campo e o filme apresenta apenas mais uma visão de mundo que amplia nossos horizontes - mas não o esgota.

Deste modo, uma possível "confusão mental" decorrente do filme é interessante filosoficamente - pois, lembrem-se de Aristóteles, "A filosofia nasce do espanto". Mas isso não conclama a vitória de um dos lados.

Fatos... Quando nosso filme disseca o Cristianismo como instituição e o compara com religiões anteriores, tal não nega a figura de Deus nem, de forma alguma, deve servir como fator depreciativo da religião em questão. Obviamente, uma instituição tem pontos concordantes com outras anteriores pois, sobretudo, é fruto de seu tempo. Pensem: se um filme dissecar a Democracia grega e notar que temos ali um cerne da exclusão, isso não nos permite denegrir a imagem de um posterior sistema...

Tal visão também deve imperar quando se analisa o sistema político. Não é novidade entendermos que existem falhas no sistema - mas, como bem nos mostra outro filme ("Wakin´ Life"), pensarmos somente em ação não nos permitirá chegar à um bom lugar.

Sucintamente, podemos notar que para que possamos interpretar nosso filme filosoficamente devemos analisar todas as partes e não entregarmos à uma brevidade. O mundo possui problemas sim, em vários setores, mas acalmemos nossos ânimos: se cada um de nós fizermos nossa parte, um interessante futuro é possível. Já pensou que, perto de você mesmo, existe sempre alguém precisando de ajuda? Pense pequeno, para que possas crescer e alcançar o todo.

"A passos longos não subimos montanhas... a passos curtos, sim."

* - Uma teoria da conspiração é precisamente o contrário de uma teoria científica, já que não pode ser desmentida: as provas que comprovariam as teorias são utilizadas pelos seus defensores para provar que os conspiradores são tão perfeitos a ponto de poder camuflá-las. Ou seja... fique de olho!

Ps.: Muitos filósofos já notaram que um grande volume de coisas escritas somente nos servem para chocar: são pilhas e pilhas de folhas sem sentido nenhum - o que os neopositivistas chamavam de "pseudoproposições", por não terem conteúdo. Grandes filósofos, aliás, dedicaram parte de seus escritos para uma "defesa do senso comum", como o grande Moore. Então fica a pergunta: não seria nosso filme digno à entrar na lista de "devaneios e loucuras" sem sentido? Sempre desconfio destes materiais revolucionários demais...

Dedicarei, aliás, um post para a religião - como propiciadora de uma ética.

Futebol dos Filósofos!

Boa noite, meus nobres!

Muito humor e filosofia é a dica de hoje! Deliciem-se com o "Futebol dos Filósofos", da trupe Monty Phyton!

http://www.youtube.com/watch?v=moWZm66J_yM

Grande abraço a todos!

Caia na rede...


Boa noite, meus nobres amigos..!

Deixo-lhes hoje um interessante site filosófico, com o qual tenho tido contato há um certo tempo: Cybercultura e Democracia online.

Visitem e leiam os textos... ótimos temas, diversidade, escrita impecável e um tom crítico - tudo isso proporcionado por J. Francisco Saraiva de Sousa, amigo virtual de Portugal.

http://cyberdemocracia.blogspot.com/

Abraços a todos!

Para parar e pensar...


É como eu sempre grito - aflito, na rua do sossego...

Um país sem seus livros não possui história; sobretudo, um país sem educação não possui futuro.

Digno de devaneios..

Boa noite, nobres companheiros!

O tema abordado hoje, por este gentil servo que lhes fala, será "comportamento". Anunciando-me desta maneira pareço vago e confuso - necessitamos, pois, delimitar nosso campo. Vamos refletir, se permitirem, acerca do comportamento em salas de aulas - focando-me nas diferenças entre alunos e alunas, e amparadas pela minha experiência cotidiana.

A pergunta filosófica central é: existem diferenças entre gêneros que permitem generalizar comportamentos?

Comecemos analisando nosso campo de estudo. A sala de aula é, antes de mais nada, um âmbito plural e, possivelmente, o primeiro contato "socializante" no qual nossas crianças estão inseridas. Entendendo dessa forma, a escola torna-se ambiente de interações sem intervenção direta dos pais - fazendo com que seja a primeira experiência de independência. Ou seja, cabe à escola lidar com todos estes problemas - mas vamos adiante, senão não chegaremos ao ponto mencionado.

Já que a escola, no fundamento, possui uma tarefa de contato entre membros, torna-se uma "microsociedade": simula, entre seus componentes, toda uma sociedade - embora de forma reduzida...! Os cidadãos, o prefeito, os mercadores - todos estão lá, embora como alunos, diretores, cantineiros... isso ajuda-nos a reconsiderar a escola como espaço político. Seus membros, compostos de homens e mulheres, diferem-se entre si, obviamente - e chego, portanto, no clamado ponto.

Homens e mulheres, tanto na escola quanto numa "macrosociedade", se difem de muitas formas. Vemos gritantes diferenças numa instituição escolar porque é nesta em que há o desenvolvimento psiquico e biológico dos jovens, além do já citado "primeiro contato socializante". Com o tempo muitas diferenças tendem a desaparecer - embora outras se mantenham.

É reducionista tratar os meninos como brigões e as meninas como o extremo oposto: todos estes fatores são produtos culturais e em outro momento será explicado. Lidar com seres humanos é lidar com o imprevisto, com o nem sempre lógico. Problemas comportamentais não escolhem gênero e rotular ocasiona uma situação pré-conceituosa (entendida como algo antes de um conceito).

A conclusão que chegamos é: um espaço plural, como a escola, na qual temos alunos e alunas, reproduz fielmente uma sociedade - não há, portanto, possibilidade de rotularmos alunos. Se quisermos compreender porque há tantas diferenças deveremos considerar como base de interpretação: o social e o biológico.

Digno de devaneios, mas também de filosofia!

Ps.: Percebemos, a cada dia que se passa, mais discussões girando em torno do gênero - mulheres chegando ao poder, equiparando os salários, etc - e faço questão de tratar isto em outro tópico!

Vai um Schopenhauer aí!?


Olá, internautas!

Segue o link para buscar vários textos disponíveis do autor alemão Schopenhauer! http://www.4shared.com/network/search.jsp?searchmode=2&searchName=schopenhauer

Vasculhem, sobretudo para aqueles que querem entender o pensamento do autor, pela net: temos inúmeros artigos publicados sobre o tema!

Grande abraço, meus nobres!


E que tal sair da Matrix!?

Boa noite, nobres visitantes!

Final de semana chegando e, com ele, filmes! Então aqui vai uma ótima dica para o final de semana:

Provavelmente muitos de vocês já viram o filme Matrix, mas que tal rever e - como complemento - ler um dos textos abaixo? Pois é... o filme, em várias passagens, faz alusão à filosofia (ou vocês acham que a placa, no oráculo, escrita "Conhece-te a ti mesmo", é por acaso!?)... Então acesse um dos sites abaixo, leia o texto e encontre referências no decorrer do filme!

http://www.geocities.com/instituinte/gilenomitodacavernamatrix.htm

http://pt.shvoong.com/humanities/235437-caverna-matrix/

http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdefilmes/987289

Aliás, tenho muitos "filmes filosóficos" na lista! De vez em quando postarei dicas para o fim de semana!

Abraços!!

Ps.: Para aqueles que gostam do filme supracitado, não deixem de ler o livro "Neuromancer"... foi lá onde tudo começou! Não percam!

Ruminem, meus nobres, ruminem!


Por mais que as ideias estejam agitadas hoje, não irei postar nada de novo.

Deixarei tempo para que revisitem os antigos tópicos... pois, como bem disse algum filósofo alemão, ruminar é um processo necessário.

No Prelo !

Já visitaram o Prelo hoje!?

http://jornalismonoprelo.blogspot.com/

Dê uma passada por lá, pessoal! Jornalismo crítico de primeira qualidade (from Seven Lakes city!)

O gênio fala...

A Filosofia pode ser vista como a mãe que deu a luz e alimentou todas as outras ciências. Deste modo, não deveríamos desprezar sua simplicidade e pobreza, mas deveríamos ter esperança que parte de seu ideal "quixotesco" sobreviva em suas crianças - para que elas não se afundem em esnobismo.

Albert Einstein, 1932

O Mito do Maurício

Olá companheiros!

Como prometido, segue abaixo a tirinha do Piteco, re-interpretando o Mito da Caverna de Platão. Não perca!

http://www.monica.com.br/comics/piteco/welcome.htm

Você tem fome de quê? Você tem sede de quê?

E em tom de desabafo e filosofia...

Lamentavelmente percebo, dia após dia, que os estudantes estão deixando de ter paixões por determinadas ocupações - atividades recreativas que permitem o contato social, dentre outras vantagens - e dando preferência a um batalhão de atividades padronizadas e lamentavelmente alienantes*.

Há uma redutibilidade, sobretudo, aos mesmos estudos (muitas vezes caótica): são aulas de inglês, espanhol, música, dança, natação, judô (sim, a mesma pessoas e tudo isso!) e outras tantas que - certamente - não trarão êxito ou bom aproveitamento em nenhuma delas (devido, justamente, à quantidade envolvida)!

Assisto com pesar a mesma cena, quando os alunos optam pelo curso no vestibular: ou gostam de tudo e não conseguem escolher, ou não gostam de nada e também não conseguem escolher! São lados de uma mesma moeda.

Não é hora de parar pra pensar? Será que a sociedade atual, com sua velocidade de informações e obrigações mesquinhas, não nos levará à ruína? Não estamos formando seres sem alma, cujas escolhas se reduzem aos mesmos cursos, justamente por não terem vivido nada? Você, nobre leitor, tem sede de que? Em caso de resposta "nada" ou "tudo", lembre-se: são lados de uma mesma...

*Do latim, alienare: significa transferir para outrem o domínio de, alhear.

Às mães-mães, aos pais-mães e demais matriarcas


Ok, mantive-me afastado este fim de semana. Muitos escritos (provas, leiam) para serem corrigidos. Embora no estágio de quase término, passei para desejar às mães parabéns pelo "Dia das Mães". À título de curiosidade, você sabe o motivo da data?

"A mais antiga comemoração dos dias das mães é mitológica. Na Grécia antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses.

O próximo registro está no início do século XVII, quando a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas. Nesse dia, as trabalhadoras tinham folga para ficar em casa com as mães. Era chamado de "Mothering Day", fato que deu origem ao "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo.

Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada em 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, autora de "O Hino de Batalha da República".

Mas foi outra americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração.

Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data."

http://www.portaldafamilia.org.br/artigos/texto026.shtml

É lógico!

Boa noite, meus nobres!

Já perceberam como um discurso bem articulado convence multidões? A lógica, o campo filosófico que lida com análise argumentativa, mostra-se de fundamental neste processo. O encadeamento lógico está lá, e a evocação à sentimentos - dentre outras especificidades do discurso - também. O link abaixo o levará até o discurso histórico de Martin Luther King, denominado "I had a Dream" (legendado).

http://www.youtube.com/watch?v=q6_zeDrRgXQ

Como "dever de casa", pensem em estratégias discursivas - usadas por oradores na prática de sua arte!

O povo e suas faces...

Olá, nobres companheiros!

E lançando uma pergunta na roda...

Como confiar numa democracia, se o "povo" contida na palavra "demo" não possui opinião própria? Seria uma midiocracia (um poder manipulado pela mídia)?

Como conceber a metáfora que a voz do povo é a voz de Deus, se o "povo" da afirmação não canta suas próprias músicas?

[Anacronismos mas...] "Se Bush é pinóquio, quem será o Gepeto?"

Teria sentido?


Ok, o objetivo não é estragar o dia de ninguém! Desejo, sobretudo, incitar reflexões! Você sabia que perguntas existenciais sempre permearam a mente dos homens!? E elas estão por aí, em toda parte (aliás, parece-me que mais do que nunca!).

Coloquem a massa cinzenta pra funcionar, meus nobres!

Nosso Enem e o Enem dele

Novo vestibular, Enem e eticéteras... talvez sejam essas as palavras de ordem para os vestibulandos - na medida em que todos fomos pegos de surpresa pela proposta do MEC. De qualquer forma, o post de hoje traz uma reportagem sobre a insuficiência de investimentos pelo governo na área da Educação Pública e do paralelo fracasso do "antigo" Enem como forma de avaliação. Percebam, e tal é meu propósito, o longo caminho à percorrer...

Informação: “A média de investimento nos estados é de R$ 1,5 mil por aluno por ano. Esse valor é comparável ao de uma mensalidade escolar da rede privada”.

Ps.: embora essa nossa área seja interessada nos vestibulares, lembrem-se que a proposta do ministério da Educação visa, como fim último, a alteração do ensino médio"


Clique aqui e leia na íntegra!

E agora, Zé?

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, disse, nesta quinta-feira (30), que não vai pedir mais tempo para que a população não-indígena deixe a reserva Raposa Serra do Sol. “Não pretendo, não vou discutir. Esse assunto já foi discutido exaustivamente. Aquilo vai se transformar num verdadeiro zoológico humano. Sem a menor condição de sobrevivência, sem contato com o branco, o que vamos ver lá serão animas humanos”, disse ele.

Ok, ok... os defensores podem até dizer que a fala está descontextualizada (aliás, pronunciada hoje, dia 30/04/09), mas convenhamos..: imagens fortes (zoológico humano..?) e desnecessárias, pretensão de ser o "bom caucasiano" (e desde quando índio só sobrevive caso haja brancos..!?) e outras incoveniências. E agora, José? Só falta dizer que o Brasil foi "descoberto"...

Santa paciência... caso não tenha o que falar, permaneça mudo - é prudente.

Sorria, você está sendo observado!

Boa noite, meus caros alunos e visitantes!

Não é novidade dizer que o "Google", com seu amplo sistema de pesquisa, revolucionou a internet. De fato, quem nunca - atrás de um termo desconhecido - utilizou-se do site? O interessante, e esse é o tema do post de hoje, é que o site disponibiliza anualmente um relatório (por país) dos termos mais buscados.

O Zeitgeist ("Espírito do tempo", algo como "atmosfera intelectual") é o site da google que se responsabiliza pelo descrito acima. Através dele sabemos, por exemplo, que no Brasil o termo mais buscado foi "orkut", enquanto na Malásia temos "youtube".

Mas, vocês perguntam, o que tudo isso tem haver com Filosofia? Tudo! Primeiramente, o nome do site: é o mesmo termo usado por um grande filósofo do século XIX, chamado Hegel.! Além disso, todos os filósofos sempre se preocuparam com a "atmosfera" de um tempo! Delineamos nosso tempo através de observações e reflexões - para então podermos explicá-lo e propor alternativas e novos modos de perceber a realidade.

E, que tal, vocês pensarem no nosso "hoje" através destes termos digitados no Google? Ou mesmo notarem como o mundo fala, hoje, praticamente uma única língua!? Ou, para terminar, que estamos sendo controlados ininterruptamente!

Boa noite e ótimas reflexões!

http://www.google.com/intl/en/press/zeitgeist2008/index.html

E como tarefa de casa...

Olá, meus nobres!

Para aqueles que não conhecem o trabalho de Philip Scott Johnson, fica aqui uma ótima sugestão: o premiadíssimo "Women in Art".

Veja como o desenrolar artístico se dá, através de figuras femininas - ótimo vídeo para refletirmos, sobretudo, sobre a questão do "belo" no "tempo", dos juízos de gosto e afins!

http://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs

Assista neste instante - você não irá se arrepender!

Grande abraço!

Um pouco de humor filosófico!

Tecla Sap:

"Pelo fato de não mais vê-la, a louça deixa de existir!" - Quem disse que a Filosofia não tem utilidade prática?
Não entendeu a piada!? Procure informações sobre George Berkeley!
Abraços!

De volta para o futuro...


Assumo o anacronismo, mas não perdoo a crítica: aos bbb´s e outros "tranquilizantes" sociais.

Sobre o espantar e outras considerações de uma mente inquieta


Olá, meus queridos alunos!

Li algo interessante num texto hoje e, se permitirem, gostaria de compartilhar com vocês. Talvez o texto em si não traga grandes reflexões: com efeito, trata-se de um comentário do Roberto Pompeu de Toledo à atitude do jogador Adriano - que permaneceu, todos sabem, na favela onde nasceu ("escondido") - publicado na Veja desta semana. Como as reflexões não escolhem hora nem lugar pra surgir...

Vamos, então, à frase que chamou-me atenção: "Jogador que perde a alegria de jogar é triste como palhaço que não vê mais sentido em fazer graça, artista plástico que não mais se encanta pelas cores ou filósofo para quem especular vira uma chatice".

O filósofo é aquele que , segundo o texto, especula - o que justifica a frase acima. E, friso, tal é como -também - concebo o filósofo. Com efeito, o filósofo é aquele cidadão que especula acerca de fatos, que busca ir mais fundo (nas entranhas do problema). Para tanto, utiliza-se de poderosas armas: a linguagem, a razão, a observação, o discurso.

Deste modo entendemos melhor a afirmação de Paulo Ghiraldelli, quando este nos diz que a filosofia "desbanaliza o banal"... trocando em miúdos, o filósofo se preocupará em problematizar aquilo que "passa despercebido"... criar perguntas e questionar tudo que nos cerca. E então recorremo-nos, para finalizar, aos filósofos clássicos para elucidar questões e ampliar nossos horizontes para outros caminhos!

A Filosofia nasce do espanto, já dizia um antigo filósofo grego.

De volta com as notícias...


E temos alterações no Vestibular Unificado (em prol de uma flexibilização, pelo que tudo indica), de acordo com o portal Mec!

Segundo Fernando,
"Foram definidas possibilidades mais flexíveis de participação, com respeito às tradições de cada instituição”, disse o ministro. Cada uma das 55 universidades federais poderá escolher de que maneira utilizará o novo Enem em seu processo seletivo. Há quatro possibilidades: o Enem como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas ociosas, após o vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição. Neste último caso, a universidade definirá o percentual da nota do Enem a ser utilizado para a construção de uma média junto com a nota da prova do vestibular."

Acompanhem:
Clique para maiores informações!

A Sociedade de Plástico


Meus nobres amigos,

não é de hoje que nos deparamos com notícias sobre jovens e o uso ilegal de anabolizantes. Nessa semana, novamente, os jornais anunciavam: "Adolescentes seguem internados após o uso de anabolizantes veterinários". Longe de ser uma questão supérflua, podemos nos indagar (e devemos) o por que do uso de tais drogas pelos jovens. A resposta, em sua maioria (como sugere, também, a reportagem), girará em torno do conceito "corpo perfeito". Vamos analisar tal expressão?

Este conceito reside no campo da Estética (reservado às questões de arte, de belo, de feio, etc...) e denota que tais jovens almejam um corpo belo, ou - para sermos mais exatos -, um corpo que seja belo independente de qualquer circunstância - por isso, perfeito.

Nós, estudantes de filosofia, já sabemos que a beleza é circunstancial - ou seja, variará segundo a época, anulando o conceito de "perfeição" artística... caso contrário, teríamos de falar na "perfeição" na arte grega, na arte medieval...etc. Isso invalidaria o conceito de perfeição.

Fazendo uma ponte com os dias de hoje: já viram uma estátua feminina grega? Para muitos, aquelas estátuas representam a mais bela perfeição (existem estudos que analisam proporcionalmente cada componente corporal, pois - segundo muitos teóricos, a beleza reside na proporcionalidade)... e alguém irá negar que, comparadas à hoje, aquelas estátuas representem mulheres "acima do peso" para nosso padrão?

Segundo Maria Arruda Aranha:

"O conceito de belo é eminentemente histórico. Cada época, cada cultura, tem o seu padrão de beleza próprio. Da mesma forma, as manifestações artísticas têm sido bastante diversas e, por vezes, até desconcertantes no curso da história. Essa diversidade se deve a vários fatores, que vão do político, social e econômico até os objetivos artísticos que cada época ou cultura tem se colocado."

Temas de Filosofia


Estamos lidando com padrões de beleza - mutáveis e nunca definitivos. O erro desses jovens reside no fato de almejar uma perfeição (que não existe, como bem explica nossa velha filosofia) e, sobretudo, por atribuir ao corpo virtudes que vão além deste: ou vocês acham que, com um corpo na moda, você se tornará virtuoso (justo, honesto, altruísta, etcs e etcs)?

Então, meus queridos, não caiam nessa! Não sejamos a sociedade da anorexia, do anabolizante, dos antidepressivos... caso triunfe, seremos - para sempre - a sociedade de plástico.

O Filósofo como "Homo Crisis"

Segundo um interessante artigo publicado no ano de 1998, em Lisboa (assinado por J. Rosete), a filosofia sempre emergiu em tempos de crise - com o objetivo de "fazer um balanço e apontar novos rumos para a sociedade". Observando tal afirmação, podemos deduzir desta que o filósofo possui um importante papel na sociedade, na medida em que sua função se vincula ao diagnóstico de uma nação em mutação - e que leva a autora a considerá-lo um "Homo Crisis".

Essa propriedade não é nova. Há uma especificidade crítica na Filosofia desde os pré-socráticos - e, observando atentamente, em todos os momentos nos quais há um contexto em alteração. Foi deste modo no Ilumismo; com os filósofos continentais; com os existencialistas; etc... Há quase uma possibilidade de generalizar, embora não seja prudente fazer tal.

De uns anos para cá a palavra CRISE vem aparecendo diariamente em nossos noticiários... seja a financeira (agora em voga), a ambiental, social, saúde, educacional... estamos, pois, em um mundo em crise!?

A minha resposta é sim. Não pretendo dizer que tal crise seja "de agora"; mas o "descortinar", a evidência maior, se dá neste nosso momento. Seria por tal evidência que o governo re-implanta a filosofia na escola? Seria por tal que a filosofia volta a ser clamada? O surgimento de filósofos em nossa sociedade brasileira teria alguma relação?

Perguntas e mais perguntas... publicarei o texto na íntegra, em outra oportunidade. Como desfecho, deixo-lhes Rosete:

"Possam pois haver condições favoráveis à Filosofia, esta saberá merecer o desafio a que tem pleno direito: devolver o humano ao humano sem quaisquer pudores."

A Filosofia no Mundo - Karl Jaspers


Mas como se põe o mundo em relação com a filosofia? Há cátedras de filosofia nas universidades. Atualmente, representam uma posição embaraçosa. Por força da tradição, a filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática... É nomeada em público, mas - existirá realmente?

A oposição se traduz em fórmulas como: a filosofia é demasiado complexa; não a compreendo; está além de meu alcance: não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale a dizer: é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster -se de pensar no plano geral para mergulhar, através de trabalho consciencioso, num capitulo qualquer de atividade prática ou intelectual; quanto ao resto, bastará ter "opiniões" e contentar-se com elas.

A polêmica torna-se encarniçada. Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. Ela é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar minha vida, Adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente. E surgem os detratores, que desejam substituir a obsoleta filosofia por algo de novo e totalmente diverso. Ela é desprezada como produto final, uma teologia falida. A insensatez das proposições dos filósofos é ironizada.

Muitos políticos vêem facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão-somente usam de uma inteligência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante...

E no mundo encantado das perguntas...


Caros amigos,

como já dito ao longo das linhas anteriores, a filosofia nasce de uma pergunta. Alguns autores, como por exemplo a Angélica Sátiro (em seu ótimo livro "Pensando Melhor"), divide a atividade filosófica em 3 atitudes básicas, a saber:

Questionar - levantamento de uma pergunta filosófica
Investigar - analisar, propor reflexões, buscar soluções
Ampliar os horizontes - momento de "ir-além" do antigo conhecimento, somar, concluir

Perceba que o ato de questionar se encontra presente como 1ª atitude, como prescrito. De posse dessas informações, que tal criarmos perguntas à partir da charge do início do post? Vamos ao exercício filosófico!!

Mas lembrem-se... a pergunta Filosófica não pode conter respostas imediatas - como, por exemplo "quem é a personagem da charge!?"... São perguntas que vão além da charge e, sobretudo, nos faz pensar... e pensar... e pensar... e investigar... e examinar... e - como propoe a autora mencionada - amplia nossos horizontes!

Ainda somos os "Showroom Dummies"!?


Olá, meus queridos amigos!

E quem disse que a música não pode ser um canal de reflexão e crítica!?
Deixo-lhes abaixo a música "Showroom Dummies" (manequins de vitrine), do Kraftwerk! Ótima banda alemã (ok, até 1986, com o Eletric Cafe), com ótimas reflexões sobre nossa contemporaneidade!

Essa música está presente no álbum de 1977, denominado Trans-Europe Express. Alguma similaridade com os dias de hoje?! =]

Showroom Dummies (Kraftwerk)

1 2 3 4...
We are standing here
Exposing ourselves
We are showroom dummies
We are showroom dummies

Were being watched
And we feel our pulse
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We look around
And change our pose
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We start to move
And we break the glass
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We step out
And take a walk through the city
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We go into a club
And there we start to dance
We are showroom dummies
We are showroom dummies

http://www.youtube.com/watch?v=ZVtT8xsiXBQ - Clipe da música, no Youtube!

O papel Acobreado

Meus nobres leitores,

segue abaixo uma sugestão bacana de blog - da Mari, formada em Letras pela Ufmg e hoje professora da língua inglesa!

Muitos escritos, traduções e outros farão você se sentir "esse ser imaginário com quem por vezes entrelaço os dedos, o cheiro do papel e a percepção"! Visitem, pois, o "Papel Acobreado", e tire suas conclusões!

http://opapelacobreado.blogspot.com/

Bom feriado a todos!

Hey, professor, deixe o filósofo em paz!


Creio que essa dúvida perpassa pelas cabeças de muitos jovens que se deparam com a Filosofia... e quase em uníssono, dizem: "ei, professor, para que estudar esses filósofos que já morreram há tanto tempo?"

Vamos bem vagarosamente. Os filósofos, independente de onde vieram, propuseram ideias, reflexões e críticas. Num processo lento e de esforço, o mundo ocidental foi absorvendo muitas dessas ideias - e podemos dizer que tais "moldaram" nosso intelecto. Mas o que isso signifca? Significa que, se o filósofo "fez a cabeça" da população, essa ideia se instaurou naquele espírito e alterou o modo de ver a realidade.

Pense, por exemplo, em Parmênides - sim, o pré-socrático. Com o "imobilismo", ele deu uma nova cara ao problema do movimento e mudança de tudo... Disse que embora possamos nos apegar às mudanças (como as opiniões), não estaríamos ainda lidando com o ser (que era uma designação para verdade).

Pois bem. Tais ideias ecoam até hoje... ou você discorda que, quando lê "Nada do que foi será, denovo do jeito que já foi um dia?", lembra automaticamente do rio de Heráclito? Nobre alunos, as ideias dos filósofos, para usar uma imagem, ainda pulsam - caso contrário não mais estaríamos falando sobre eles. Elas estão aí, aqui, soltas e presas nas nossas cabeças - estudar filosofia é estudar a história das reflexões e ideias ocidentais (e que nos formaram, mesmo distantes!).

Pois bem, visando isso, sempre proponho à vocês - alunos - que façam pontes que liguem o passado com o hoje (e que encontrem filosofia antiga, medieval, moderna e contemporânea em tudo que possa lhe cercar). E, além disso, meu trabalho de final de "etapa" na escola também aponta para tal: que tal, eu proponho, vermos o que nos resta dessa teoria? Vamos procurar em músicas, jornais, entrevistas?

E você, visitante, consegue fazer tais pontes? Tente!

Abraços, visitante do blog!

Genealogia do Tédio

Olá, nobres amigos!

O post de hoje será dedicado a uma das áreas que mais cresce nos dias atuais: a neurociência. Para aqueles que não são familiarizados com o tema, neurociência diz respeito ao estudo das funções das áreas cerebrais, bem como a anatomia cerebral, as estruturas, etc. Grandes descobertas tem sido feitas de um tempo pra cá - publicadas enfaticamente em revistas, tanto especializadas quanto para o grande público.

O que cabe notar é que várias antigas crenças estão sendo confirmadas ou abolidas à partir da ascensão neurocientífica: perguntas como "por que a música gera prazer?", "Por que ficamos agitados em determinados momentos?", "como a linguagem é gerada?" - dentre muitas e muitas outras - estão tendo um novo enfoque.

Transcreverei uma interessante reportagem que achei na net, a qual diz respeito ao tédio adolescente e a área supracitada. Divirtam-se!


Adolescência e Tédio: ciência explica

Acontece com todo mundo. Chega um momento da vida em que tudo que a gente gostava de fazer - brincar de bola, de boneca, de carrinho, de pega-pega - deixa de ser interessante.

É o tédio, um dos primeiros sinais do início da adolescência. Você provavelmente ouviu falar que o tédio, como várias outras chatices da adolescência, era culpa dos hormônios. Mas não é.

A neurociência hoje tem uma resposta diferente: o comportamento adolescente é fruto de um cérebro adolescente, que está passando por uma série de transformações.

Uma das primeiras mudanças acontece bem no meio do cérebro, no sistema de recompensa. Esse é um conjunto de estruturas que, quando fazemos algo que dá certo ou que promete resultados muito legais, nos premia com uma sensação de prazer. Um prazer que tanto serve como recompensa quanto como motivação.

Brincar de bola, de boneca, correr à toa, jogar videogames, são ótimas maneiras de ativar o sistema de recompensa das crianças. Acontece que, ao entrar na adolescência, o sistema de recompensa perde de um terço à metade de seu tamanho e também da sua sensibilidade.

Isso significa que tudo o que antes dava prazer agora já não funciona mais tão bem. A boneca, a bola e os carrinhos são abandonados. Os heróis da infância são esquecidos.

O que ainda funciona? Novidades. Por isso, os adolescentes precisam tão desesperadamente de novos prazeres: música, esportes, carinhos, comida, cinema - tudo isso na companhia de amigos, que têm as mesmas necessidades.

Por mais que o tédio seja chato para os recém-adolescentes - e para seus pais que acham que a falta de interesse e preguiça são birra ou rebeldia - esse tédio é natural e tem uma função importantíssima. É ele que faz com que o jovem abandone a infância, se interesse pelo mundo adulto e vá buscar sua turma.

Afinal, se a infância não perdesse a graça, quem iria querer trocar a brincadeira por trabalho?"

- Retirado em http://www.depositonaweb.com.br/1111/adolescencia-e-tedio-ciencia-explica/ -

E quem veio primeiro?! O ovo ou o blá blá blá?


Depois de um breve período de ausência, retomo às atividades normais do blog.

Peço-lhes apologias, pois estive ocupado com várias atividades essa semana: elaboração de provas, correção, aulas (e mais aulas!), dentre outras. Apesar de todo essa turbulência, arrumei um tempinho para conferir hoje - clima chuvoso e frio, sobretudo - o projeto "Café com Cultura" - que acontece sempre na primeira segunda-feira de cada mês, aqui em Sete Lagoas.

O motivo que arrastou-me até a "Casa da Cultura" (nome do local onde aconteceu o debate) foi a presença do novo Secretário de Cultura da cidade - que viria (digno de cumprimentos) falar sobre as propostas e demais projetos em andamento. Bem, vamos aos fatos - e ao questionamento filosófico:

1 - A casa, que oferece lotação para 130 pessoas, estava ocupada por míseras 30 - o que é notavelmente compreensível... chuva, pouca divulgação... etc (e eticéteras). Isso (é, sim, um puxão de orelha nos "artistas") é irrelevante.

2 - Embora muitos falem a palavra "cultura" abertamente, uma introdução teórica (veja, não creio que deva ficar em tal âmbito teorético! Mas pulá-lo jamais!) seria interessante. Falar em "projetos culturais" é extremamente amplo e exige um esclarecimento lógico.

3 - (E mais importante) - Após todas as considerações, uma pergunta no ficou ar... pairando (e persiste)...

Os cidadãos não se interessam por "atividades culturais" pelo fato de não termos investimento na área (ou seja, por não termos tais custeadas pela prefeitura) ou não temos investimento na área por que os cidadãos não se interessam por cultura (lutar contra a TV?)!?

Ok, ok... creio que a questão do ovo e da galinha seja de resposta mais fácil...

Ps. digno de nota:

cultura (lat. cultura) 1. Conceito que serve para designar tanto a formação do espírito humano quanto de toda a personalidade do homem: gosto, sensibilidade, inteligência.
2. Tesouro coletivo de saberes possuído pela humanidade ou por certas civilizações
3. Em oposição a natura (natureza), a cultura possui um sentido antropológico: é o conjunto das representações e dos comportamentos adquiridos pelo homem enquanto ser social.
4. Num sentido mais filosófico, a cultura pode ser considerada como um feixe de representações, de símbolos, de imaginário, de atitudes e referências.
5. Cultura de massa é uma expressão, de uso ambíguo, freqüentemente utilizada para designar a possibilidade de uma população ter acesso aos bens e obras culturais produzidos no passado e no presente. seja o processo de degradação.

..!

Semana de provas [elaborar, laborar e corrigir!]... domingo [amanhã] voltarei às atividades normais no blog!

Grande abraço, meus nobres amigos!

Para gostar de...

É difícil, e creio que todos vocês concordem, definir com exatidão quando começamos a gostar de determinado assunto ou atividade. Quando me abordam com a questão - quando você se interessou por filosofia? - tendo a dizer que foi com a emersão de perguntas filosóficas durante a adolescência, mas sem saber ao certo o que proporcionou tal emersão... foram as músicas, algum livro, alguma passagem cotidiana? Não consigo dizer - ou consigo, dizendo que foi um conjunto de fatores.

Para incitar o jovem à filosofia, devemos confrontá-los com perguntas cotidianas - utilizar exemplos de como os autores responderam à tais questões - e mostrar que, até hoje, algumas dúvidas permanecem. "Quem sou eu?", "Por que as coisas mudam?", "Poderei conhecer tudo?" e por aí vamos... e, sobretudo, fazê-lo gostar de ler...

...E para gostar de ler, não há outro caminho senão ler! Dentre vários livros que são potencialmente capazes de incitar o jovem ao estudo da Filosofia, citarei 2 - escritos justamente para tais jovens: "A Filosofia explicada à minha Filha", do Roger-Pol Droit e "O Mundo de Sofia", do Jostein Gaarder.

Deem uma olhada no extrato abaixo, retirado deste segundo livro citado! Espero que gostem...! (e caso isso acontece, vá na biblioteca mais próxima!)

"Muitas pessoas têm hobbies diferentes. Algumas colecionam moedas e selos antigos, outras gostam de trabalhos manuais, outras ainda dedicam todo o seu tempo livre a uma determinada modalidade de esporte.

Também há os que gostam de ler. Mas os tipos de leitura também são muito diferentes. Alguns lêem apenas jornais ou gibis, outros gostam de romances, outros ainda preferem livros sobre temas diversos como astronomia, a vida dos animais ou as novas descobertas da tecnologia.

Se me interesso por cavalos ou pedras preciosas, não posso querer que todos os outros tenham o mesmo interesse. Se fico grudado na televisão assistindo a todas as transmissões de esporte, tenho que aceitar que outras pessoas achem o esporte uma chatice.

Mas será que existe alguma coisa que interessa a todos? Será que existe alguma coisa que concerne a todos, não importando quem são ou onde se encontram? Sim, querida Sofia, existem questões que deveriam interessar a todas as pessoas. E é sobre tais questões que trata este curso.

Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos esta pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isolado, então certamente a resposta será: a companhia de outras pessoas.

Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer. E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.

Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não é um interesse “casual” como colecionar selos, por exemplo. Quem se interessa por tais questões toca um problema quem vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quando passamos a habitar este planeta. A questão de saber como surgiu o universo, a Terra e a vida por aqui é uma questão maior e mais importante do que saber quem ganhou mais medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos.

O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer perguntas filosóficas:

Como o mundo foi criado? Será que existe uma vontade ou um sentido por detrás do que ocorre? Há vida depois da morte? Como podemos responder a estas perguntas? E, principalmente: como devemos viver?

Essas perguntas têm sido feitas pelas pessoas de todas as épocas. Não conhecemos nenhuma cultura que não se tenha perguntado quem é o ser humano e de onde veio o mundo.

Basicamente, não há muitas perguntas filosóficas para se fazer. Já fizemos algumas das mais importantes. Mas a história nos mostra diferentes respostas para cada uma dessas perguntas que estamos fazendo.

É mais fácil, portanto, fazer perguntas filosóficas do que respondê-las."
Jostein Gaardder: O mundo de Sofia

Caniço Pensante


"O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água bastam para matá-lo. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso. Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento. Daí que é preciso nos elevarmos, e não do espaço e da duração, que não podemos preencher.Trabalhemos, pois, para bem pensar; eis o princípio da moral. Não é no espaço que devo buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu pensamento. Não terei mais, possuindo terras; pelo espaço, o universo me abarca e traga como um ponto; pelo pensamento, eu o abarco".

Pascal, Pensèes