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Filosofia e Política

Aos alunos do 2º EM (e demais interessados).

"Política
(lat. politicos, do gr. politikós) - Tudo aquilo que diz respeito aos cidadãos e ao governo da cidade, aos negócios públicos. A filosofia política é assim a análise filosófica da relação entre os cidadãos e a sociedade. as formas de poder e as condições em que este se exerce, os sistemas de governo, e a natureza, a validade e a justificação das decisões políticas. Segundo Aristóteles, o homem é um animal político. que se define por sua vida na sociedade organizada politicamente. Em sua concepção. e na tradição clássica em geral, a política como ciência pertence ao domínio do conhecimento prático e é de natureza normativa, estabelecendo os critérios da justiça e do bom governo. e examinando as condições sob as quais o homem pode atingir a felicidade (o bem-estar) na sociedade, em sua existência coletiva."

Como vimos em sala,
há uma estreita relação entre Política - poder - força - Estado (força legitimada). Outra definição plausível de política : "Arte, habilidade ou ciência de, através de artifícios e normas, estabelecer a felicidade entre os membros de uma sociedade".

Questão proposta:
Disserte acerca da relação contida na definição supracitada.

Dicionário Básico de Filosofia - *.pdf

Meus nobres alunos e demais interessados em Filosofia,

segue abaixo o link para mais um presente:

Dessa vez, disponibilizo um Dicionário Básico de Filosofia - perfeito para utilizar em pesquisas de conceitos filosóficos!


Façam bom proveito!

Atividade nº01 - Fernando Pessoa

Lisbon Revisited
(l923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

PESSOA, Fernando: Poemas de Álvaro de Campos. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/jp000004.pdf


Atividades propostas:
. Leia com atenção o poema. Qual a posição do hetorônimo em relação aos conhecimentos filosófico, científico e transcendente? Explique.
. Identifique, no poema acima, elementos que façam referência (explícita ou implícita) a campos filosóficos. Crie 3 perguntas filosóficas referentes a cada campo encontrado.
. Explique a seguinte passagem: "Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.Com todo o direito a sê-lo, ouviram?"

Sermão da Sexagésima - Pde. Antônio Vieira (texto integral)


Alunos do 3° EM,
é com muito orgulho que anuncio a parceria entre este que vos escreve e a professora Cláudia de literatura. Iniciaremos um projeto que terá como objetivo oferecer ao estudante aparatos literários, filosóficos e históricos do autor Pe. Antônio Vieira - visando, sobretudo, uma contextualização do autor para fins dissertativos.

Segue, abaixo, o link do texto integral do "Sermão da Sexagésima".


Mãos à obra para o vestibular, pessoal!

Por qual razão estudamos Filosofia?

Longe de ser uma questão supérflua, a pergunta pelos motivos de estudarmos Filosofia é costumeiramente evocada e mostra-se de suma importância. Etimologicamente, sabemos que a palavra tem origem grega e possui como significado “amor ao conhecimento” ou “amante da sabedoria”: embora, como podemos perceber, tal elucidação não nos leva à resposta do título do texto.
Neste pequeno ensaio, tentarei expor, de modo breve, uma resposta à essa intrigante pergunta. Para tanto, dividirei o texto em dois momentos: primeiramente, gostaria de considerar a filosofia na história do homem; em segundo lugar, expor o significado e a razão de um estudo filosófico.
Factualmente, dizemos que a Filosofia nasceu na Grécia Antiga. No sentido primário do termo, filosofia podia ser considerada uma reflexão cujo objetivo era de ir além da experiência (ir além, portanto, dos sentidos) e descobrir a essência das coisas; ou seja, responder à pergunta: qual a constituição básica das coisas? Qual o princípio das coisas? De que tudo é feito, composto?
Essa pergunta, obviamente, teve respostas diversas. Os filósofos, ou ainda, os investigadores que debruçaram sobre essas perguntas, encontraram diversas origens. Um dizia que tudo provém da água; outro, do fogo; outro do ar. E assim sucessivamente. Estes filósofos eram denominados “pré-socráticos”.
Eis que um senhor chamado Sócrates, intrigado por uma série de perguntas, iniciou algo que mudaria para sempre o rumo da nossa velha Filosofia: questionando pessoas, na praça de Atenas, sobre o que era o amor, o conhecimento, a justiça, etc., Sócrates buscou compreender conceitos importantes a partir da reflexão e da palavra. Embora nunca tenha escrito nada, Sócrates deixou vários discípulos. Platão, seu mais famoso discípulo, elabora então uma “alegoria”: um mito simples que buscava explicar o que seria a Filosofia (o mito da caverna). Neste mito, as pessoas acorrentadas numa caverna, acostumados a ver tudo em forma de vultos e borrões, se libertam e vêem, pela primeira vez, o mundo. Espantadas, contemplam e depois voltam para a caverna; e contam como seria a realidade, àqueles que lá permaneceram. Os prisioneiros não acreditam no que ouvem e tudo volta ao normal naquela sombria caverna.
Platão então comparou o mito ao nosso conhecimento: todo este conhecimento deve passar de opiniões injustificadas, pré-conceituosas, mal formuladas à certeza, verdade e ao conceito correto. Propõe, então, pela primeira vez, o que deveria ser a Filosofia: uma saída de um mundo das aparências, sem certezas e cheio de dúvidas para um mundo mais racional, pensado; sobretudo: a Filosofia deveria ser uma investigação empregada pela razão, pelo raciocínio, pelas palavras, rumo à conceitos e idéias verdadeiras.
E assim nasce, então, a Filosofia - desde estes tempos longínquos. Foi assim na Idade Média (séc. V – séc. XV), quando São Tomás perguntava “se Deus é bom e é criador de todas as coisas, por que existe o mal?”. Foi assim na Idade Moderna (séc. XVI – séc. XIX), quando o homem desvinculou o pensamento estritamente de Deus e perguntou: “Qual o limite para o pensamento do homem? Ele pode conhecer tudo?”. Temos, deste modo, milhares de filósofos ou pensadores, que refletiam e refletem acerca de variados temas. E quais temas são estes? Temas que versam sobre Ética (conduta); Epistemologia (ciência); Estética (arte); dentre outros campos.
Vimos então que a Filosofia, essa antiga disciplina, pretende – a partir do pensamento e das palavras – algo genuinamente humano: entender o mundo e as coisas que nos cercam. Diferentemente dos cientistas, que querem descrever o mundo a partir de instrumentos diversos (pipetas, tubos de ensaio...), o filósofo possui a palavra, o pensamento e o raciocínio. E, diferentemente deste cientista, que busca provar suas teorias, o filósofo busca debater os mais variados temas, afim de fazer críticas à realidade. Críticas são importantes? Logicamente, sim. O ser humano necessita das críticas, da análise dos conceitos, dos discursos; o ser humano, este ser limitado (e finito), passageiro neste mundo... sempre teve e sempre terá prazer em questionar o que nos rodeia; em entender o que é o conhecimento e para que serve... em entender o que é o amor, e o para que deste... em saber o que é justo, e se a justiça compensa... etc... resumidamente: as mesmas perguntas, desde o século V a.C., 2500 anos atrás.
Abre-se então duas perguntas: como não chegamos a respostas sobre os questionamentos filosóficos, devemos abandonar a investigação destes questionamentos? O filósofo diria: não. A filosofia é uma atividade, devendo sempre ser praticada – tanto na escola, quanto na rua, etc. Não busca, portanto, alcançar “o certo”, ou “a verdade”. Como toda atividade, ela deve ser renovada, iniciada; tenhamos sempre fôlego para encarar as dúvidas que nos são colocadas. E a segunda pergunta que se abre é, justamente, aquela do título: Por que razão, então, estudamos Filosofia? Embora creio que, agora, você leitor já tenha uma resposta mais ou menos definida, darei a minha. Coloco-me, por alguns segundos, na pele de Sócrates e o deixo responder, assim como respondeu a alguém que, certa vez o fez a mesma pergunta: “Devemos filosofar simplesmente porque uma vida não analisada não merece ser vivida”. Espero que, agora, vocês tenham um motivo a mais para estudar minha amada e velha Filosofia.

Danilo Svágera da Costa

Do objetivo

Dedico este blog a todos meus alunos, antigos tutores e demais interessados na Filosofia em sala de aula.



Terei como objetivo, no decorrer das linhas, apresentar reflexões, incitar discussões e proporcionar ao leitor aparato teórico para re-interpretar fatos: espero, com todo ardor, alcançar o proposto.


Lançarei materiais que ajudarão os alunos no tortuoso - embora prazeroso - caminho filosófico. Serão propostos, paralelamente, exercícios que contribuirão na formação do discente (acompanhados das séries referentes).


E qualquer sugestão, crítica e afins... postem! É do diálogo que surgem as mais belas reflexões!



Um grande abraço,

Danilo Svágera da Costa