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Para gostar de...

É difícil, e creio que todos vocês concordem, definir com exatidão quando começamos a gostar de determinado assunto ou atividade. Quando me abordam com a questão - quando você se interessou por filosofia? - tendo a dizer que foi com a emersão de perguntas filosóficas durante a adolescência, mas sem saber ao certo o que proporcionou tal emersão... foram as músicas, algum livro, alguma passagem cotidiana? Não consigo dizer - ou consigo, dizendo que foi um conjunto de fatores.

Para incitar o jovem à filosofia, devemos confrontá-los com perguntas cotidianas - utilizar exemplos de como os autores responderam à tais questões - e mostrar que, até hoje, algumas dúvidas permanecem. "Quem sou eu?", "Por que as coisas mudam?", "Poderei conhecer tudo?" e por aí vamos... e, sobretudo, fazê-lo gostar de ler...

...E para gostar de ler, não há outro caminho senão ler! Dentre vários livros que são potencialmente capazes de incitar o jovem ao estudo da Filosofia, citarei 2 - escritos justamente para tais jovens: "A Filosofia explicada à minha Filha", do Roger-Pol Droit e "O Mundo de Sofia", do Jostein Gaarder.

Deem uma olhada no extrato abaixo, retirado deste segundo livro citado! Espero que gostem...! (e caso isso acontece, vá na biblioteca mais próxima!)

"Muitas pessoas têm hobbies diferentes. Algumas colecionam moedas e selos antigos, outras gostam de trabalhos manuais, outras ainda dedicam todo o seu tempo livre a uma determinada modalidade de esporte.

Também há os que gostam de ler. Mas os tipos de leitura também são muito diferentes. Alguns lêem apenas jornais ou gibis, outros gostam de romances, outros ainda preferem livros sobre temas diversos como astronomia, a vida dos animais ou as novas descobertas da tecnologia.

Se me interesso por cavalos ou pedras preciosas, não posso querer que todos os outros tenham o mesmo interesse. Se fico grudado na televisão assistindo a todas as transmissões de esporte, tenho que aceitar que outras pessoas achem o esporte uma chatice.

Mas será que existe alguma coisa que interessa a todos? Será que existe alguma coisa que concerne a todos, não importando quem são ou onde se encontram? Sim, querida Sofia, existem questões que deveriam interessar a todas as pessoas. E é sobre tais questões que trata este curso.

Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos esta pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isolado, então certamente a resposta será: a companhia de outras pessoas.

Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer. E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.

Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não é um interesse “casual” como colecionar selos, por exemplo. Quem se interessa por tais questões toca um problema quem vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quando passamos a habitar este planeta. A questão de saber como surgiu o universo, a Terra e a vida por aqui é uma questão maior e mais importante do que saber quem ganhou mais medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos.

O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer perguntas filosóficas:

Como o mundo foi criado? Será que existe uma vontade ou um sentido por detrás do que ocorre? Há vida depois da morte? Como podemos responder a estas perguntas? E, principalmente: como devemos viver?

Essas perguntas têm sido feitas pelas pessoas de todas as épocas. Não conhecemos nenhuma cultura que não se tenha perguntado quem é o ser humano e de onde veio o mundo.

Basicamente, não há muitas perguntas filosóficas para se fazer. Já fizemos algumas das mais importantes. Mas a história nos mostra diferentes respostas para cada uma dessas perguntas que estamos fazendo.

É mais fácil, portanto, fazer perguntas filosóficas do que respondê-las."
Jostein Gaardder: O mundo de Sofia

Caniço Pensante


"O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água bastam para matá-lo. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso. Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento. Daí que é preciso nos elevarmos, e não do espaço e da duração, que não podemos preencher.Trabalhemos, pois, para bem pensar; eis o princípio da moral. Não é no espaço que devo buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu pensamento. Não terei mais, possuindo terras; pelo espaço, o universo me abarca e traga como um ponto; pelo pensamento, eu o abarco".

Pascal, Pensèes

28 de Março de 2009; 20:30: Earth Hour


Caríssimos estudantes,

aconteceu ontem, dia 28/03, a "Earth Hour" - que pelos lados de cá ficou conhecida como "Hora do Planeta". De cunho ambiental e extremamente reflexivo, a Hora do Planeta nos convidou "às 20:30, seja onde você morar no planeta", a apagar as luzes de casa. Diga-se de passagem, esse tipo de manifestação está se popularizando cada dia mais - o que evidencia o caráter globalizado das informações e conhecimentos (e, sobretudo, nos mostra que determinados problemas também devem ser encarados como nossos).

Para você que sabia da Hora do Planeta e participou, parabéns. Para aqueles que não participaram... não se preocupem: todo dia e toda hora, evidentemente, deve ser encarado como uma "Earth Hour".

Site oficial do evento: http://www.earthhour.org/home/

O mito nos dias atuais


"A nova forma de compreensão do mundo naturaliza o pensamento e a ação (isto é, retira dele o caráter de sobrenaturalidade ), fazendo surgir a filosofia, a ciência e a técnica. Perguntamos então : o desenvolvimento do pensamento reflexivo deveria decretar a morte da consciência mítica?

Quando Augusto Comte, filósofo francês do século XIX e fundador do positivismo, explica a evolução da humanidade com a teoria dos três estados, define a maturidade do espírito
humano pelo abandono de todas as formas míticas e religiosas. Com isso privilegia o fato positivo, ou seja, o fato objetivo, que pode ser medido e controlado pela experimentação.

Essa posição opõe radicalmente o mito à razão, ao mesmo tempo que inferioriza o mito como tentativa fracassada de explicação da realidade. Ao criticar o mito, o positivismo se mostra reducionista, empobrecendo as possibilidades de abordagens do mundo abertas ao homem. A ciência é necessária, mas não é a única interpretação válida do real, nem é suficiente: quando exaltada (a ciência), faz nascer o mito do cientificismo: a crença na ciência como única forma de saber possível..."
Vamos lançar dois exemplos:
  • As personalidades que os meios de comunicação se incumbem de transformar em imagens exemplares: como artistas, políticos, esportistas, e que, no imaginário das pessoas, representam todos os tipos de anseios: sucesso, poder, liderança, sexualidade etc. - lembrem do "rei Pelé", quando em entrevista disse algo como: sou Edson Arantes, embora achem que sou o mito Pelé - ele, perfeito, eu, imperfeito.
  • Nas histórias em quadrinhos: Superman, X-men, etc... todas criaturas que vão além do homem, mostrando-lhe quão limitado é e conferindo-lhe, sobretudo, significado.

Vestibular Unificado?

Olá, meus nobres alunos!

É um prazer estar aqui denovo - dessa vez para lançar um assunto polêmico - mas que tem tramitado, ultimamente, pelos corredores do governo: o "Vestibular unificado".

Trata-se de uma proposta do ministro da educação Fernando Haddad, que viria a eliminar - segundo o autor do projeto - vários problemas advindos do exame.

Selecionei, aqui, algumas reportagens interessantes sobre o assunto. Deem (ok, nova ortografia) uma olhada: a educação está lentamente mudando - e vocês, meu caros vestibulandos, devem estar atentos à tais !

MEC planeja apresentar vestibular único em 2010
MEC quer vestibular unificado nas federais
UNE considera positiva a criação
Ministro defende novo ENEM para acesso
Entrevista (Rádio Pan) da proposta

Uma canção vale mais que mil palavras...

Até Quando esperar (Plebe Rude)
Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus
...posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos...
Até quando esperar?

A gente não quer só comida...


Fico extremamente feliz ao falar sobre música - de fato, desde os 9 anos de idade respiro notas musicais (naquela época, era um pequeno soprano num coral formado por garotos de todos os segmentos sociais - "Os Cardeais de Sete Lagoas"). Sou capaz de dizer, sobretudo, que grande parte dos meus valores provieram dessa experiência - normas, rigidez, disciplina, amizades, sensibilidade, amor pela arte, humanidade... e dentre tantos outros ensinamentos que até hoje deixa-me com brilho nos olhos. Saudade daquela época, das viagens inter-municipais (e estaduais!) em prol da música. Hoje, como professor de Violão Popular e Clássico, guitarrista e aspirante à violoncelista, vejo a falta que uma sólida educação musical (artística, sobretudo) nos faz.

Continuemos..:Minha felicidade deve-se, prioritariamente, à proposta de re-inclusão da "Educação Musical" nas escolas. Deixo aqui um site muito bacana sobre o assunto: acessem e acompanhem as novidades!
.
Uma nação não se faz sem, a meu ver, três pilares: filosofia, para aguçarmos o criticismo; história, para que possamos entender o "eu" no mundo; e arte, para elevarmos o espírito. Embora metafísico demais (espírito?), quem um dia já "viveu música" sabe do que estou falando.
..
E com uma frase quase oracular termino o post de hoje: grandes mudanças, podem esperar, irão ocorrer no cenário pedagógico nacional em breve - algumas já estão ocorrendo... Informe-se!

Pensar é ser.


"Comumente confundimos o filósofo com aquele sujeito que sabe muitas coisas e que discursa sobre tudo. Em suma: o filósofo é tido como o homem de muitas idéias. Equívoco total. O filósofo é o homem de uma idéia só. Idéia que, por sua virtualidade criadora, é capaz de desenvolver no espírito uma visão unificada do mundo."
CRÍTICA DA RAZÃO TUPINIQUIM de Roberto Gomes.


E que tal uma nova ideia?


Meus bons companheiros...

Não escutem o Grump! Que tal aprendermos o quanto antes as novas regras ortográficas? Muito já foi escrito acerca da viabilidade ou não de tal "projeto", mas agora tal se tornou um fato: a reforma foi executada e nos resta adaptar à nova maneira.


Ps.: para os vestibulandos isso é essencial!

Atividade nº03 - O Enigma de Kaspar Hauser


Meus nobres alunos,

assistimos hoje, na aula, a trechos selecionados do filme "Kaspar Hauser". De posse das informações advindas do filme e de pesquisas na internet e em livros, responda:

1) Qual a veracidade da história de Kaspar Hauser?
2) Relacione as situações vividas por Hauser, no transcorrer do filme, ao binômio natureza e cultura.
3) Duas cenas foram destacadas: a da religião e do professor de lógica. Descreva uma das cenas, destacando o propósito desta.

O email para envio será escolafilosofica@gmail.com (até o dia 06/04)
Material complementar:
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2616/130/
Vídeo em inglês no Youtube

Agora é com vocês!

Abdul Salam Iphone Zaeef

Abdul Salam Zaeef. Para aqueles que não o conhecem, Zaeef era o embaixador talibã no Paquistão. Aliás, o linha-de-frente das comunicações exteriores do regime talibã. Um título digno de nota, por estar envolvido em atrocidades (típicas de regimes fundamentalistas encontrados naquela região). Mas o post de hoje não pretende dissertar acerca de Zaeef, nem julgá-lo pelos atos.

O interessante reside na foto acima: Zaeef e seu simpático Iphone. Bem, vamos por partes. O talibã é um regime islamita extremista - que governou o Afeganistão durante 5 anos. Inúmeras restrições, mortes e atitudes desmedidas assolaram a região durante essa época - com atos condenados por diversos países, tanto ocidentais quanto orientais.

O Iphone, por sua vez, é um utilitário criado na Califórnia, no coração capitalista mundial. É marcado, sobretudo, pela integração de tecnologias - tais como internet, tocador de audio e câmera.

O que mais nos chama a atenção é, num país marcado pelo tradicionalismo e rigidez extrema, como um produto transcende todas as barreiras e torna parte daquela cultura? Não afirmo que a foto se insira em todos os cidadãos (e, de fato, não é o caso), mas o fato de um deles já o possuir é sintomático. Como algo, produzido no coração norte-americano, pode ir além de qualquer disputa ideológica? Bem-vindos à globalização.

É marcada a integração das partes, independentes (e cada dia isso se evidencia) de discursos, ideologias. Não viso, percebam, criticar o grau de utilidade do objeto - isso faremos posteriormente, quando falarmos de consumismo e "ter é ser". Faço referência à pergunta que Derrida (grande filósofo do século XX) nos deixava no livro "Filosofia em tempos de terror": a globalização invade. Até que ponto uma cultura, em qualquer lugar do mundo, resiste ao choque de valores, advindos - sobretudo - de um choque cultural?

É justamente, lembrem-se, em situações de subversão da cultura que nascem grupos extremistas, em nome de uma higienização e culto da antiga cultura, do povo, da tradição. Alguém consegue sentir o cheiro nazista?
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Sugestão: Assistam "Arquitetura da Destruição". Documentário muito bacana, sobre a situação nazista de "higienização", motivada esteticamente.

E enquanto isso...

Belo sábado lá fora. Como insisto em minhas aulas, toda boa filosofia nasce de uma boa questão - e talvez seja esse o desafio: instigar boas questões. Visando proporcionar o surgimento de tais - ou seja, aquelas que incitam à reflexão (e não uma resposta imediata) - lanço uma crônica interessante, com um problema que tem pairado sobre minha cabeça: o jovem contemporâneo. Leiam com atenção!

A Bola (Luis Fernando Veríssimo)

O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro.
Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.
- Como e que liga? - perguntou.
- Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho. - Não tem manual de
instrução?
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os
tempos são decididamente outros.
- Não precisa manual de instrução.
- O que é que ela faz?
- Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.
- O quê?
- Controla, chuta...
- Ah, então é uma bola.
- Claro que é uma bola.
- Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
- Você pensou que fosse o quê?
- Nada, não.
O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina.
O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
- Filho, olha.
O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa idéia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.
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Possibilidades de questões:

1 - Quais as consequências das mudanças comportamentais inferidas através da crônica?
  • Mudanças no plano do conhecimento (leitura do mundo)?
  • Mudanças éticas?
  • Quais outras?
2 - Utilizando-nos da metáfora da bacia, como o jovem poderá pensar nestas questões - sendo, ele mesmo, jovem?

E enquanto isso, à margem...

Nós, professores, utilizamo-nos de metáforas visando facilitar o processo educativo. As imagens são capazes de transmitir inúmeros significados - e, muitas vezes, facilitam a compreensão de algo puramente abstrato. O fato dos incontáveis significados pode vir a gerar confusões - já que há possibilidade de interpretações diversas perante a mesma imagem. Mas este não é o assunto do post.

Venho reproduzir uma imagem que, a meu ver, torna inteligível muitas perguntas: a imagem da bacia. Quando confrontado acerca de dúvidas como "por que é importante filosofar", "qual a importância da filosofia no nosso país", "é necessário estar "de fora" às vezes", "por que o consumismo exarcebado não é percebido"... em resumo, diante de perguntas diversas, tenho sempre o prazer em usar esta imagem.

Imagine-se dentro (ou seja, no fundo) de uma grande bacia, impossibilitado de mover. A posição fixa, voltada para frente, faz com que a imagem se torne estática, contemplando somente parte desta totalidade. Mesmo com a possibilidade (se concedida) de mover o rosto, a imagem ainda é parcial, pois irá de encontro com algo que se fecha à frente.

Nos colocamos, agora, nas bordas da bacia. Como no primeiro momento da situação anterior, vamos ficar imóveis: percebam que, mesmo imóveis, a visão da bacia é geral. O espectador consegue contemplar "o todo" da bacia olhando do alto...

E qual a relação desta simples metáfora com as perguntas cidadas acima? O espectador que está dentro da bacia não consegue ver por estar dentro do processo, fazer parte: assim somos quando tentamos desvendar coisas como em que época estamos? pós modernismo? etc... Aquele que está fora da bacia está à margem, ou seja: o ser que se encontra fora do processo tem uma visão do todo.

Podemos usar a imagem em vários campos. De qualquer forma, é uma bela imagem e nos coloca a seguinte questão, que repasso a vocês:

Estar à margem (simbolicamente, não completamente) nos ajuda a melhor compreender a realidade? Que "à margem" é esta?

Um grande abraço e pensem na imagem!

E agora, José?

Achei um site bacana na rede que, espero, possa vir a contribuir nesta conturbada época.

Trata-se de um site dividido em profissões - e em cada uma dessas profissões temos um vídeo de um especialista na área comentando sobre tal.

http://www.escolhasuaprofissao.com.br/index.jsp

Tenho vivenciado - através de vários depoimentos - como é difícil a tarefa de escolher uma profissão. Tenho consciência de que a decisão não é instantânea; além deste fato muitos vivenciam uma pressão neste momento - ou, constantemente, uma imposição. Num momento oportuno voltaremos a falar sobre tal tema. Por agora frequentem os vídeos no link indicado.

Grande abraço!

Inauguração

Olá, caríssimos alunos!

É com muito orgulho que anuncio essa nova área do blog, dedicada aos pré-vestibulandos. Concentrarei aqui, além das já conhecidas provas espalhadas pelo Brasil (já contamos com a Filosofia em várias universidades brasileiras), textos e demais mídias relacionadas ao vestibular.

Vamos utilizar o espaço como um ponto de encontro saudável, habitado por espíritos livres e, sobretudo, cultuar a reflexão como melhor opção para promover escolhas.

São tais as metas que norteiam nosso espaço. Um grande abraço a todos e ótima leitura..!

E por onde anda sua cabeça, jovem?


Consumir, Exprimir, Imprimir, Soda, Moda, Moldar.. Exterior, Interior, Ensino Superior, Ter é Ser, Escrever, Ler, Pc, Cd, Lcd, Dvd, Ps2, Arroz, Roupas, Carros, Curso, Mundo, Imundo, Felicidade, Grana, Samba, Festa, Profissão, Exclusão, Comunismo, Altruísmo, Ceticismo, Liberalismo, Feminismo, "ismos", "ismos", abismos...

Penso, logo, desisto.

E você... já parou pra pensar em você e seu lugar no mundo hoje?

O que é Filosofia, afinal?

Link interessante da semana:

http://www.youtube.com/watch?v=fGxrFw9RBQk

Vídeo do professor Paulo posicionando-se sobre "o que é Filosofia" - através de cartuns.

"Ler é a arte de desatar nós cegos" - Goethe

Embate "moderno" (Ciência e Religião)


Não é de hoje que encontramos o embate - assistido na tv e discutido entre cidadãos durante toda semana - entre religião e ciência. O caso do arcebispo de Olinda, que condenou a prática do aborto em qualquer situação, sugere claramente uma cisão entre os preceitos religiosos e os científicos.

Longe de posicionar-me à respeito - deixo tal para os leitores - o fato é que, se tomarmos a história como base, veremos que tal já estava, de certa forma, presente na época clássica (o que nos oferece uma prévia da dificuldade de eliminar as divergências).

A cisão entre Mythos e Lógos, no seio da Grécia do século VI a.C. é um dos primeiros vestígios de diferenciação entre dois discursos - enquanto o mito (história fantástica, baseada num sistema de crenças arraigado na população) descrevia o mundo de certa forma, o Lógos (dos pré-socráticos ou fisiólogos) era, justamente, a tentativa de um discurso racionalizado da natureza, sem fantasia e com descrições concretas dos fenômenos...

Embora haja proporções consideráveis, no fundo o embate ocorrido naquele tempo e hoje mostra-se semelhante: são duas formas de encarar o mundo - as quais exigem um posicionamento nem sempre amistoso entre as partes. Basta nos lembrar, continuando numa linha do tempo, da execução de "hereges" e cientistas na Idade Média e Moderna (inquisição).

Hoje em dia, e assim vou terminando meu texto, embora haja menos violência física do que em tempos passados (mas ainda há uma simbólica), já vemos casos em que a Igreja cede espaço à Ciência (essa segunda com feitos inimagináveis - ou você consegue nos imaginar sem ela?). Presenciei, inclusive, uma citação feita numa cerimônia religiosa que assisti recentemente - "Agradecemos aos feitos da ciência e aos cientistas" - tal é a prova de uma atual tentativa de diálogo entre dois modos de ver a realidade.

De qualquer forma, a atitude do arcebispo de Olinda vem, mais uma vez, distanciar-nos de um discurso amistoso - e por quê não? - entre os dois conhecimentos.

Para acessar a reportagem citada na postagem, clique em:

Clique aqui e acesse a notícia

Se quiser aprofundar no assunto procure os seguintes temas:

História Moderna e Medieval
Da mitologia ao Lógos
Bioética e os limites da medicina
O discurso religioso como forma de compreensão da realidade

Sofocracia - Política Platônica

E em algum lugar na nossa querida democracia...

A palavra grega Sofocracia faz referência ao sistema político idealizado por Platão - podemos, com efeito, traduzí-la como "Governo do Sábio".

A base estrutural deste sistema é a organização social através de funções, que seriam definidas no decorrer da vida educativa: o jovem seria educado (paidéia) e, sendo executados cortes nas salas, as funções seriam definidas. Dessa forma podemos citar alguns cortes:

- Aos vinte anos seria executado o primeiro corte: aqueles que não tiverem aflorado uma sensibilidade aguçada trabalhariam na agricultura, artesanato e comércio.

- Dez anos depois identificaríamos a virtude da coragem, selecionando guerreiros para os exércitos.

- Os que passassem nestes cortes (crivos) estudariam "a arte de Pensar" (Filosofia), que elevaria o pensamento até o puro raciocínio.

- Aos 50 anos eles estariam prontos para legislar a sociedade.

Alguns pontos importantes:

. Como percebemos o sistema criado por Platão lida com um governo racionalizado.
. É importante lembrarmos do conceito de cidadão grego
. Apesar de Platão ser um aristocrata, seu governo possui relação íntima com o saber e não com a riqueza - embora haja, contextualmente, resquícios de aristocracia.
. O sábio legisla através do discurso e aguarda o acordo entre os cidadãos livres (e racionais).
. Platão recomendava aos jovens o estudo da Geometria, Música, Educação Física - dentre outras.


Agora é com vocês:

- Imagine se tal sistema fosse realmente adotado... quais seriam as conseqüências?
- A imagem no início do texto faz referência à democracia... em qual medida ela ajuda a compreender a(s) diferença(s) com a sofocracia?
- Para meus (queridos) alunos (do segundo ano EM): leiam as páginas 10 e 11 para revisar a matéria.

Sutilezas Lingüísticas

"Navegar é preciso; viver não é preciso"

Embora creditada por muitos como uma frase de Fernando Pessoa, tal pertence originalmente à Pompeu - general e político romano. Nela encontramos a palavra "preciso", que nos lega a idéia imediata de "necessário". Desta forma o navegar se torna necessário e o viver, desnecessário.

Uma análise atenta nos leva a considerar outra interpretação: o viver não é preciso: numa linguagem formalizada poderíamos considerar como algo não(preciso), ou seja: impreciso. Dessa forma a frase ficará assim posta:

Navegar é preciso; viver é impreciso

Vemos que à partir de agora o navegar é preciso na medida em que denota precisão: navegamos com instrumentos e racionalidade - previsibilidade e retidão, sobretudo. Já viver é impreciso, ou seja, algo fortuito, imprevisível, efêmero - dessa forma, curvilíneo e não racional.

Fernando Pessoa, que cita Pompeu num famoso poema atribui ao preciso o valor de necessário - como na nossa primeira interpretação - e acrescenta versos. Confiram:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


O campo da Filosofia que se preocupa com a análise formal da linguagem denomina-se Filosofia da Linguagem (integrada à Lógica). Já ao campo da Filosofia que nos oferece reflexões sobre processos de interpretação chamamos hermenêutica.

Os pré-socráticos - fragmentos

Caros alunos e demais interessados,

encontrei na internet - e achei bacana compartilhar com vocês - uma coletânea de fragmentos dos filósofos pré-socráticos. Como dito em sala de aula, os filósofos pré-socráticos são conhecidos como "primeiros filósofos", na medida em que há nestes uma primeira tentativa de rompimento do mythos rumo a uma racionalização explicativa do mundo fenomênico. Percebam: a filosofia já nasce crítica. Quase nada escrito nos sobrou - os fragmentos que se seguem são importantes na medida em que servem como esforço para reconstituir os pensamentos dos primeiros filósofos .

Link para acessar o site:
http://www.consciencia.org/fragmentos_presocraticos.shtml

Os campos da Filosofia

Ao estudarmos filosofia estaremos diante de perguntas que, em maior ou menor grau, nos inquietam. Como (sempre *rs) costumo dizer, nem todas as perguntas têm status de filosóficas: perguntas cotidianas que são respondidas prontamente não recebem tal caracterização (lembrem-se do "Qual é seu nome?).

De maneira didática, podemos dividir a Filosofia em 5 campos, a saber:

Estética - parte da Filosofia responsável pelas discussões sobre arte, sobre o belo (e, seu extremo oposto) e temas que versem sobre tais. Perguntas correntes no campo: O que é arte? É possível uma neutralidade que julgue as obras? O belo é mutável ou permanece, ad eternum?

Teoria do Conhecimento (Epistemologia) - parte da filosofia que se preocupa com reflexões à respeito do conhecimento e do alcance deste (dentre temas que circundem tais). Perguntas correntes: Podemos conhecer tudo? Qual a objetividade de uma teoria científica?

Lógica - Parte da filosofia responsável pelo estudo de argumentos e o bom encadeamento destes. Como exemplo, lembrem-se (caros alunos) do "Não vi ninguém!". A lógica, abro parênteses, é indispensável na articulação argumentativa!

Metafísica - Campo cujo objeto é tudo aquilo que não possui realidade física (do grego Meta - Além e Phýsis - Natureza). Se preocupa com, por exemplo, "O que é o ser" e "Quais os atributos divinos", etc etc e... etc.

Ética: Responsável pelo estudo do comportamento humano, bem como pela investigação do bem agir e de temas afins. Didaticamente, aproximaremos a política da ética, na medida em que a política mostra-se uma arte visando atingir um bem (saiba mais sobre política nos posts anteriores). Perguntas: O que é uma boa ação? O que é corrupção?

Para terminar, cito Wittgenstein:

O filósofo trata uma questão como uma doença.
Ludwig Wittgenstein(1889-2006), Investigações Filosóficas (Philosophische Untersuchungen), § 255.

Atividade nº02 - Filosofia e humor

Filosoficamente falando, uma piada pode ser explicada como uma "quebra de linearidade", ou seja: em um mundo com fenômenos (causais) fechados, a piada ocorre quando o espectador é surpreendido com um feito não esperado - que, na maior parte das vezes, subverte o mundo fenomênico.

Em outros casos, a piada está presente no fato de existir uma "falha comunicativa". A charge abaixo é exemplo disso.








Atividade proposta:

De posse das informações acima e de seus conhecimentos sobre comunicação, responda:
. Quais elementos comunicativos estão envolvidos na charge ao lado? (ex.: receptor, contexto, etc.).
. O processo no qual há uma falha de comunicação pode ser denominado ruído. Quais as possíveis conseqüências para este processo?
. Construa uma situação na qual há uma "quebra de linearidade".

Reflexões Estéticas



"Sem música, a vida seria um erro" [Frederich Nietzsche]


Acabo de ler essa citação no perfil do colaborador Felipe Godoy. Fico, quando vislumbro esse tipo de manifestação partindo de jovens, extremamente contente - com efeito, sou um daqueles visionários que creditam (e acreditam) na arte como forma de "ir além" da atual situação de crise subjetiva. Considero, sobretudo, que a arte se tornou um dos últimos redutos de expressão de si - a antiga (e sempre atual) catarse aristotélica.

Ok, sou e serei um defensor da arte. Que as novas gerações re-conheçam o alcance deste tipo de manifestação e atribuam o devido valor - ou re-atribuam, já que este meu último reduto expressivo tem sido, como bem sabes, reduzido (à pó).

O texto que se segue foi redigido na época da faculdade: naquela época eu estudava Schopenhauer (grande filósofo alemão do séc. XIX) e sua relação com Filosofia oriental, música, dentre outras... vale a pena ler e conhecer um pouco mais sobre o autor !


"A grande virtude de Schopenhauer é diagnosticar a fonte dos nossos sofrimentos e propor maneiras de transpassá-las. A meu ver, este foi o primeiro autor que pressentiu a crise do sujeito, um sofrimento agudo, deu causas a ela e que, penetrando nas entranhas da Vontade, propôs uma transcendência.

(...)

Segundo o autor, ao entrar em contato com algum tipo de arte, o indivíduo (sujeito mais corpo, segundo definição do filósofo) abre a possibilidade de se perder diante da obra: nesse movimento de perca via contemplação estética funde-se o objeto e o sujeito e conseguimos nos livrar, finalmente, do fardo da Vontade. Fato é que ao integrarmos com o objeto, vislumbramos não algo submetido aos princípios reais, como espaço-tempo e causalidade; vislumbramos nada mais do que a idéia de Platão, à essência, à imutabilidade da forma e a realidade mesma. Não mais haverá apego às coisas; não mais estaremos submetidos à uma irracionalidade. Neste momento, estaremos num plano totalmente distinto de tudo. Mas quanto tempo suportaríamos nesse plano? Varia, nos responde o filósofo. Há uma aproximação entre gênios e loucos, os quais conseguiriam ficar por mais tempo num estado de transe na frente de uma obra: estendendo a teoria schopenhauriana, poderíamos considerar como contemplação estética até nosso cotidiano: por isso gênios e loucos possuem este estado de transcendência tão exacerbado. Nos demais seres, o tempo de permanência varia de acordo com uma série de fatores, como a arte contemplada, por exemplo. Mesmo não sendo a arte o ir-além do sofrimento por excelência, ela nos livraria ao menos temporariamente do fardo da existência. Uma vida dedicada a arte nos tornaria felizes."



Vale a pena ressaltar que, segundo Schopenhauer, artes como arquitetura e escultura possuem um vínculo muito grande com a realidade mesma. Tais farão, no máximo, um vislumbre da idéia, enquanto a música fará o vislumbre da Vontade ela mesma: com efeito, a música não possui nenhum vínculo com a realidade. É totalmente transcendente.

Mídia e Consumismo na contemporaneidade

Interessante texto de Laís Fontenelle, abordando a profunda relação entre consumismo e mídia. Leia com atenção.




Mídia e consumo: que infância estamos construindo?
Lais Fontenelle Pereira - Publicado originalmente na Folha de S. Paulo
22.10.2007


"NÃO ESQUEÇA a minha Caloi". "Compre Batom". "Danoninho vale mais do que um bifinho"... Não é de hoje que os apelos publicitários interferem na formação de nossos filhos. No Dia das Crianças nos sentimos compelidos a refletir. Que infância estamos construindo? As crianças sumiram das ruas, das praças e dos colos e se refugiaram nos shoppings ou nas telas.
"Filho, você comeu direito?". "Não esquece o casaco!". "Só mais uma história". "Já sei andar de bicicleta sem rodinhas!". Onde estão essas palavras? Está cada vez mais difícil escutarmos o riso das crianças, assim como suas verdadeiras necessidades. Vivemos imersos em imagens e sons que nos atravessam sem nos pedir permissão. A palavra foi substituída pela imagem. A coleção, pela aquisição. A atenção, pelo presente. O medo do lobo mau, pelo medo da realidade. O abraço, pelo objeto.
O desejo, pela necessidade, e a criança, pelo consumidor -antes mesmo de se tornar cidadã. O ter prevalece sobre o ser. Esse é o tempo do consumo e da descartabilidade.
No Brasil, 12 de outubro convencionou-se como o Dia das Crianças, mas a que preço? O que de fato celebramos nessa data: a criança ou o consumo? Parece-nos que esse hábito é vivido pela maioria das famílias como um simples dever ao consumo.
O 12 de outubro foi proposto pelo deputado federal Galdino do Valle Filho em 1920 e oficializado como Dia das Crianças pelo presidente Arthur Bernardes em 1924. Porém, o dia passou a ser comemorado só em 1960, depois que a fábrica de brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson criaram a Semana do Bebê Robusto. Um convite ao consumismo precoce. Se fôssemos comemorar realmente a criança, por que não fazer em 20 de novembro, data da aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças?
No mês das crianças, a publicidade surge com força total. Quando vemos que o valor gasto no Brasil em publicidade dirigida ao público infantil foi de aproximadamente R$ 210 milhões (Ibope) e que o valor do investimento no Programa Federal de Desenvolvimento da Educação Infantil (FNDE) foi de aproximadamente R$ 28 milhões, ficamos pasmos.
A publicidade participa da formação de nossas crianças tanto quanto a escola. O que é mais importante, esses objetos que prometem a felicidade ou a educação?
As crianças são desde cedo incitadas a participar da lógica de mercado. A forma como são olhadas e investidas pelos outros passa pela cultura do consumo. As expectativas em torno do nascimento, a escolha do nome e dos objetos e a reorganização da casa circunscrevem o lugar social no qual se constituirão a identidade e os valores do bebê.
As imagens publicitárias dirigem-se às crianças, o que é extremamente abusivo, pois até os 12 anos não têm capacidade crítica de entender o caráter persuasivo das mensagens. Até os quatro anos as crianças não conseguem diferenciar publicidade de programas. Conforme pesquisa norte-americana, bastam apenas 30 segundos para uma marca influenciá-las. Se pensarmos que a criança brasileira passa em média cinco horas por dia em frente à TV (Ibope, 2005), quanta influência da mídia ela sofre?
Esse problema se soma ao afastamento das brincadeiras. Quem precisa de dez sapatos, três bolsas ou saber usar batom? Os pais foram desautorizados do poder, ou melhor, do seu saber, e a mídia se ocupou do papel de transmitir os caminhos da infância. Porém, o mercado -mídia ou anunciantes- assumiu isso pensando no lucro imediato, e não nas crianças ou no futuro da nação.
A infância não pode ser aprisionada pela falsa felicidade que a sociedade de consumo nos vende. Criança precisa de olhar, de palavras e de escuta. Precisa ter infância para ser criança. E os pais sabem o que é melhor para os filhos.

Nesse Dia das Crianças, troquemos o shopping pelo parque. Façamos brinquedos, em vez de comprá-los prontos. Troquemos as guloseimas pelo bolo feito no calor da cozinha.

Paremos para refletir. Olhemos para a infância que nos circunda e rememoremos nossa experiência infantil. Assim, talvez possamos subverter a ordem estabelecida do consumismo desenfreado e encontrar uma forma mais sincera de homenagearmos nossas crianças.

* Lais Fontenelle Pereira, mestre em psicologia clínica pela PUC-RJ, é psicóloga do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana.